“Aqui você consegue comida, você trabalha, e o dinheiro rende”, diz María José, uma entre milhares de venezuelanos que, nos últimos meses, cruzaram a fronteira com o Brasil para escapar da crise em seu país e tentar a sorte em Boa Vista.
Ela era professora no país que faz fronteira com o estado de Roraima. Hoje, é vendedora de laranjas no semáforo. Em uma semana, María José chega a ganhar o mesmo que recebia em um mês de trabalho como professora em seu país.
O traçado urbanístico de Boa Vista lembra o do centro de Paris, com uma praça central para a qual convergem, em leque, longas e largas avenidas, como na região apelidada de Étoile (Estrela) da capital francesa.
Apesar da semelhança com Paris não ir além do traçado das ruas, para muitos venezuelanos Boa Vista é um sonho, relata reportagem da BBC Mundo.
Milhares de venezuelanos emigraram nos últimos anos, para países como Colômbia, Panamá, Brasil, Espanha ou Estados Unidos.
O governo de Roraima estima em 30 mil o número de venezuelanos que vivem no Estado. Segundo os dados da Polícia Federal fornecidos à BBC, 2.238 venezuelanos pediram refúgio em 2016. Somente cinco casos foram negados.
Em dezembro de 2016, a governadora, Suely Campos, declarou estado de emergência de saúde pública por 180 dias “devido ao intenso e constante fluxo migratório”.
“Tem havido um aumento desproporcional dos venezuelanos e isso tem um grande impacto em um país com limitações”, diz Douglas Teixeira, diretor do departamento de emergência do Hospital Geral.
A chegada em massa de imigrantes também está criando tensões em parte da população local, que os culpa por causar insegurança, um aumento da prostituição e por tirar proveito dos serviços gratuitos.






















