Se aliados do presidente Michel Temer começarem a abandoná-lo à própria sorte, ele não vai ter para onde fugir. Essa é a avaliação do cientista político Christian Edward Cyrill Lynch, doutor em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Para Lynch, na entrevista que concedeu à BBC, é bem provável que o establishment econômico já tenha um “curinga” na manga para o caso de cassação ou impeachment de Temer.
“Pode-se imaginar que, hoje, as cartas na mesa sejam personalidades como a ministra Cármen Lúcia (STF) ou o ministro Henrique Meirelles (Fazenda). De preferência, alguém que não esteja sendo investigado nem que tenha risco de ser investigado pela Lava Jato”, afirma Lynch.
Quanto à convocação de eleições diretas, o cientista político admite que a possibilidade é remota. Só seria possível se o Congresso aprovasse uma emenda constitucional, em dois turnos e por três quintos dos parlamentares da Câmara e do Senado.
“Um deles é a cassação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) daqui a duas semanas. A gente sabe que o voto do relator é pela cassação da chapa. Então, se a crise não for solucionada até lá, a tendência do TSE pode ser oferecer uma saída “digna”, a cassação da chapa. Aí, Temer seria obrigado a sair. O segundo cenário é o impeachment. Mas não acredito muito nisso”.
“Existe expectativa, por parte do PT, de que, numa eventual eleição direta, o Lula possa vencer e, assim, escapar do julgamento na Lava Jato, em que se espera sua condenação. Pessoalmente, apesar de desejável, não acho que a eleição direta prevaleça como meio de resolução da crise”.
PARTICIPAÇÃO DO LEITOR
Participe desta discussão
Compartilhe sua opinião sobre este assunto. As participações passam por análise editorial antes de qualquer utilização no site.


















