A crise viajou para a Rússia. Apesar de ser um clichê, a frase sintetiza à perfeição o estado atual das coisas. Isolado e pressionado em diferentes frentes, o presidente Michel Temer perdeu as condições de comandar o país. Hoje, ele é uma espécie de zumbi, um fantasma a arrastar correntes no Planalto e no Alvorada.
O PSDB, por exemplo, segue em cima do muro e não garante apoio total a Temer. Importantes lideranças, como o ex-presidente Fernando Henrique, demonstram publicamente seu desconforto com a situação. Os mais novos, chamados de “cabeças pretas”, flertam abertamente com outras legendas e, caso o partido não rompa em definitivo com o governo, sairão da agremiação. Divisão é a palavra de momento entre os tucanos.
Por outro lado, as denúncias seguem e alimentam ainda mais a tensão reinante. Depois de Joesley Batista e sua JBS, fala-se em Brasília que outros empresários de peso podem buscar a Justiça para falar. Essa é uma fonte de pressão considerável.
O núcleo duro do governo também sentiu o quadro geral. Com homens fortes presos ou afastados, Temer tem poucos quadros de qualidade à disposição.
Por último, a agenda governista perdeu força nas últimas semanas. Mesmo a reforma trabalhista, em tese a mais fácil de ser aprovada, pagou seu preço. A rejeição da matéria pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal não representa o sepultamento da proposição, mas indica claramente que o Planalto precisará negociar em outros termos para sua aprovação. O preço de face subiu.
Temer terminará seu mandato? É possível que sim. No entanto, caso passe a faixa para seu sucessor, o presidente será pouco mais que um “pato manco“. E o país estará igualmente manco.

























