Não foi apenas a agência Standard&Poors que rebaixou a nota atribuída, para dizer a verdade, não ao Brasil, mas ao seu governo. O próprio povo brasileiro já o vem fazendo há muito tempo em relação aos índices morais que a administração atual perdeu e tão importantes quanto os indicadores econômicos.
Não há prosperidade sem moralidade, pode no máximo haver saque, botim, mistificação, estelionato e engodo.
O Brasil não precisa de mais leis, já as tem em profusão. Precisa, isto sim, de agentes que as apliquem e imponham, simplesmente, já que as leis não precisam de advérbio de modo para indicar sua aplicação rigorosamente ou suavemente – simplesmente se aplicam, basta isso.
O que ocorre no País é exatamente o contrário, com um presidente a quem o fracasso subiu à cabeça.
Não satisfeito com o gigantesco insucesso de sua administração até aqui, continuação do desastre que endossou em dois mandatos como vice-presidente da República, Temer faz circular no lodo e miasmas dos bastidores e do submundo a notícia de que pretende se reeleger presidente.
E coerente com o nível da sua administração ensaia quebrar a norma de ouro da política econômica e fiscal, para poder impunemente gastar mais do que arrecada, ou seja, fazer sem ser castigado a mesma coisa que fez sua antecessora, que ele ajudou a derrubar com fundamento no mesmo ilícito que agora deseja praticar, como se legítimo fosse.
Ou seja, o governo se supera a cada dia na demonstração da moralidade que lhe falta, como se bueiros tivessem arrancada a sua tampa e deles jorrasse o que pode haver de condenável, de fétido e putrefato.
Mas não se pode subestimar este inimigo presidencial apenas porque somos contra ele.
Um homem que já conseguiu manipular o judiciário e comprar o parlamento, certamente não terá limites para obter um novo mandato, como não teve limites para conservar o atual.
Acenando com as reformas conta com todo o dinheiro do Mercado, sobretudo da Avenida Paulista, além dos poderes inerentes à Presidência da República, que administra orçamento superior a um trilhão de reais, além de milhares de cargos e repartições espalhados por todo o País, que não hesitará em usar na barganha eleitoral.
Não se esqueça, ademais, que o partido controlado por Temer e por ele presidido até há pouco é aquele que detém maior número de diretórios em todo o País, uma capilaridade que dará cabos eleitorais em cada cidade ou povoado.
Felizmente, esqueceram-se de combinar com os russos, como dizia Garrincha.
Os russos são as gigantescas populações das grandes cidades, na qual cada cidadão é um partido que pensa por conta própria, da mesma forma que a internet se torna hoje um instrumento mortal contra o tipo de eleição que Temer pretende, antiga, suja, desleal, como um imenso brejo em que só têm vez os sanguessugas engordados com os recursos roubados do povo brasileiro.
























