Já se disse que existe em política “Sua Excelência o Fato”, com o qual não se pode brigar.
Independentemente de opiniões quanto ao mérito do fenômeno, mas atendo-nos ao processo e seus personagens, o candidato e o povo, cumpre reconhecer que sem embargo do silêncio da mídia, a ascensão de Jair Bolsonaro tem sido impressivamente divulgada por sua própria autora, a população, individualmente, em grupos, pela internet e em manifestações de possibilidade até há pouco não suspeitada.
Capitão, meu Capitão, é uma tendência que se constata a cada instante e de origens diversificadas, como se a população, que até há pouco não sabia em quem votar, tivesse enfim encontrado, por enquanto e para incontáveis eleitores, uma opção.
Detendo-se na análise do que se poderia chamar, em sentido amplo, de afinidades eletivas, e no caso também eleitorais, surge a hipótese de que o fenômeno não resulta apenas do fato de que Bolsonaro diz o que o povo sente, mas também da constatação de que Bolsonaro capta o que o povo diz.
É o círculo de influência virtuosa para uns e viciosa para outros, pelo qual o orador influencia o público e este influencia o orador.
Há de se considerar também que após tantos anos em que a política se caracterizou por discursos bons e ações más, os primeiros enfeitados pelas borboletas dos adjetivos e advérbios e as últimas apresentadas com a crueza sem disfarces de sua iniquidade, o discurso que não é militarista, mas de um militar acostumado à objetividade das Ordens do Dia, fala mais diretamente à indignação presente e ilimitada do povo.
Freud assinalava que a multidão tem um senso de exigência moral elevado e o ânimo reforçado quando a ação tem a iniciativa de muitos, o que lhe aumenta a disposição renovadora e categórica.
E o Padre Antônio Vieira destacava que o êxito do orador depende do tema que trata, do estilo que segue, do tom com que fala e da autoridade que tem.
Para um candidato de formação militar, não pode haver receita melhor.
Ele não palestra; faz. Não declama; comanda. Não teoriza; intervém de pronto.
“Avante!” é um posicionamento claro que fala mais do que um elaborado raciocínio.
Melhor ainda quando o Comandante comanda o que seus comandados desejam que comande.
E é quase uma situação ideal quando a comparação entre essas características e a dos demais possíveis postulantes resulta em constatar a falta de atualidade destes últimos.
No momento, Bolsonaro está forte, embora deva atentar para os ensinamentos de Magalhães Pinto, de que a política é como as nuvens, mudam de posição a cada instante.
Mas as nuvens ainda não chegaram e podem não chegar para prejudicá-lo.
Quando se ouve a seu favor até a voz da Universidade pelos seus estudantes, é preciso meditar para o fato de que ele conseguiu até agora estabelecer uma forte linha de afinidade com grande parcela do País, que não deseja apenas uma solução clássica, mas inovadora e exemplar.
Enquanto isso, em outras plagas, Lula prossegue inelegível e incorrigível, acrescentando ao quadro político uma frustrada tentativa de suspense, como se pudesse sustentar até à véspera do pleito a possibilidade já morta da sua candidatura definitivamente afastada.























