Muitos dos chamados partidos nanicos se mobilizam para lançar candidaturas próprias à presidência da República. O PTC, por exemplo, virá com um nome de impacto – o ex-presidente Fernando Collor.
Nascido no Rio de Janeiro em agosto de 1949, Fernando Affonso Collor de Mello é empresário e graduado em economia. Antes de ocupar a Presidência da República entre 1990 e 1992, quando renunciou, ele exerceu diversos cargos eletivos. Filiado à Arena, foi prefeito de Maceió (AL), nomeado pelo então governador Guilherme Palmeira. Depois elegeu-se deputado federal e, em 1987, já no PMDB, assumiu o governo de Alagoas. Foi nessa época que nasceu a figura do “caçador de Marajás“.
Desde 2007, Collor é senador por Alagoas. É filiado ao PTC desde março de 2016. Atualmente, preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal.
Tanto a campanha presidencial quanto o governo Collor foram marcados por polêmicas. Na campanha, no pequeno PRN, ele criticou fortemente o establishment político e bateu duro em todos os adversários (nomes do quilate de Covas, Brizola, Ulysses Guimarães, Maluf e Lula, entre outros) e teve como um dos principais alvos o funcionalismo público. Durante o período eleitoral, por sinal, ele e seus correligionários promoveram embates físicos com militantes de outras candidaturas.
O curto governo Collor foi ainda mais dramático. Ele praticou uma abertura radical da economia, que afetou diversos setores. O famoso confisco das contas dos brasileiros, porém, foi o ponto alto. Ao final, sua tentativa de derrubar a inflação não deu certo e, cercado por denúncias de corrupção e isolado politicamente, foi obrigado a renunciar. Esse processo foi um importante teste para a jovem democracia brasileira.
Mas quem é o Collor versão 2018? Apesar de manter o estilo voluntarioso e personalista, ele é uma pálida sombra do presidente eleito em 1989. No universo político, ele é visto com desconfiança, o que afasta potenciais aliados. No mundo econômico, suas ideias já não empolgam – os liberais e privatistas têm outras opções mais confiáveis e consistentes à disposição. O discurso para os “descamisados” perdeu força.
Sua candidatura tem como principal objetivo recolocar seu nome no plano nacional e, ao mesmo tempo, reforçar a bancada do minúsculo PTC. Ele nada tem a perder, pois terá mais quatro anos de mandato no Senado.
O retorno de Collor mostra como o quadro político brasileiro carece de renovação. Não deixa de ser irônico que os dois nomes que estiveram no segundo turno em 1989 (Collor e Lula) sejam destaque, cada um a seu modo, no pleito de 2018. O diferencial é que, para o bem ou para o mal, o Brasil é outro hoje.























