No momento em que os Estados Unidos chafurdavam em depressão econômica agravada pela política restritiva e de contenção de Hoover, seu sucessor, Franklin Roosevelt, optou pelo caminho oposto, aplicando em frentes de trabalho o que restava ao tesouro americano, com o que, a roda da economia, recebido esse primeiro impulso, passou a girar lentamente, ganhou velocidade e tirou o País do atoleiro econômico, consagrando o autor da fórmula, Roosevelt, com mais três reeleições consecutivas para presidente.
Olhou para o futuro, em lugar de apenas se amargurar com o passado ou somente se perder com a busca dos responsáveis pelo momento que então vivia a América.
O exemplo vale para o Brasil, que não pode mais continuar apenas apegando-se ao debate da responsabilidade pelo passado próximo e pelo momento atual, quando na verdade, embora o perdão jamais possa ser concedido, já sabemos todos os escândalos ocorridos ou que os delinquentes são capazes ainda de cometer, da mesma forma que não ignoramos os erros econômicos cometidos por dolo ou incompetência, cuja discussão está exaurida, embora a pena felizmente não esteja prescrita nem impedida de ser aplicada.
A política do governo de privatizar obras prontas, traz um rendimento momentâneo, cujo destino aliás não se conhece, pois poderá ser igualmente desviado e furtado como foram outros recursos até agora.
O que cabe ao Brasil é investir e se não puder fazê-lo por si mesmo, atrair investimentos, não através de requebros e flertes com o mercado e a bolsa, mas através de perspectivas sólidas de lucro daqueles que aqui aplicarem seus recursos.
As frentes de trabalho como forma de ativar ou manter ativa a economia vêm desde os faraós, passam pelos romanos e entre nós têm uma versão recente e magnífica, o Plano de Metas do Presidente Juscelino Kubistchek, que criou a infraestrutura nacional, com as estradas, as hidroelétricas, a indústria automobilística e a ocupação do território nacional com Brasília e por causa dela com a rodovia Belém/ Brasília, que até seus adversários consideraram exemplo a ser seguido na Transamazônica.
Não houvesse a infraestrutura deixada por JK, o Brasil não poderia sequer dizer possuir uma política econômica, porque esta não se constrói sobre o nada.
Para o segundo governo de JK, que não houve, pretendia ele voltar-se para a construção de uma expressiva malha ferroviária.
Para tal fim, toda a diplomacia brasileira deveria estar hoje voltada para um acordo com potência das dimensões da República Popular da China, com capacidade gigantesca de investimento, e interesse nos seus rendimentos, cabendo-nos como lucro estabelecer a cláusula de utilização significativamente majoritária de mão de obra nacional, nos diversos níveis e escalões do conglomerado de obras, como forma de trazer de volta ao mercado de trabalho os quase trinta milhões de brasileiros dele afastados pelo desemprego, subemprego e alijamento para a informalidade.
Trabalhando, receberão. Recebendo, poderão contribuir para a receita nacional.
Mais do que cortar despesas de custeio, o problema nacional é aumentar o número de contribuintes, além de punir exemplarmente sonegadores de impostos e taxas, entre os quais se incluem os mais poderosos e o próprio governo.
Nós já sabemos quem é ladrão. Estão presos ou vão ser. Façamos agora como os americanos, to look ahead to the future, olhemos para o futuro e comecemos a reconstruir o Brasil.
























