O Carnaval do Brasil

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Estamos cansados de saber que brasileiro não desiste nunca. O Brasil está afundando do Oiapoque ao Chuí, não há segurança nem infraestrutura, mas olha aí que beleza, o Carnaval só cresce. No Rio de Janeiro, agora é moda criança encontrar bala perdida. Criaram até um funk – esse estilo erudito, quase barroco, da cultura nacional – para isso, que singelamente nos pergunta que tiro foi esse.

E, que maravilha, o Carnaval continua, impávido, desafiando todas as leis da sanidade mental e da ética nacional. Aliás, para que ética, se o ex-preso foi com a mulher ao salão de beleza? Ética zero, moral 10, nota 5, passou na média. Como é singelo um homem que acompanha a mulher no salão de beleza. Nem Sérgio Moro.

Alguém aí está preocupado com o Supremo? Se vai soltar, se vai manter, se vai sei lá o quê? É claro que não. Se temos o BBB, quem ousa se importar com o STF? STF solta, Gilmar solta, Lewandowski solta, porque neste país o dinheiro corre solto e ninguém está nem aí se veio do salário, do imposto, da taxa, do tributo. Até porque pra tudo isso existe remédio: uma sonegadinha aqui, uma nota fiscal a menos ali, ninguém vai ver e… Nada melhor que um funk exaltando um bumbum protagonista para nos fazer lembrar que Câmara e Senado Federal, diariamente, gastam 28 milhões de reais por dia aos brasileiros. É pouco?

Opa, é verdade que o pais já foi mais exigente no quesito musicalidade, mas, e daí? A indústria se impõe e impõe cada coisa de fazer tremer no túmulo Renato Russo e Cazuza. Pabllo Vittar jamais vai gritar a plenos pulmões “Que país é este?”, não é? É conveniente e rebola. Jojo Toddynho, Anitta, Simone e Simaria… Quem ousaria dizer ao Brasil: “Mostra a tua cara!”. Na verdade, dane-se a música.

Chegamos a 2018 sem dinheiro, governados por uma casta de políticos indiferentes ao Brasil real mas cheios de penduricalhos – alguns com malas, também! – sem esgoto, sem estradas decentes, sem educação que preste, hospitais lotados, tráfico de drogas dominando todas as cenas e violência nas alturas mas, o que importa?

Nós temos Carnaval! Só pra quem pode pagar, é claro. Quem não pode se arrisca a encontrar uma bala perdida de brinde. Opa! Que tiro foi esse?

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