As próximas eleições não poderão ser mornas, em face da angústia e sofrimento real do povo brasileiro:
“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca”. (Bíblia, Provérbios)
Não se trata, no entanto, de incendiar o país, mas de soprar a centelha do civismo nacional, de falar a corações e mentes, de uma forma que desperte a imaginação, o entusiasmo e a fé dos cidadãos ora tão cabisbaixos.
Não ser morno não significa, tampouco, dar vez a candidaturas aventureiras ou requentadas, categóricas nas palavras, mas sem capacidade de repercutir na massa do eleitorado.
Até porque, como assinalava o padre Antônio Vieira, as palavras entram pelos ouvidos e as obras entram pelos olhos, e a nossa alma se rende muito mais pelos olhos que pelos ouvidos.
É preciso alguém cujo nome e obra falem por si mesmos e independam de argumentação e publicidade para obter significativa aceitação, automática diante de um carimbo de austeridade.
Dentre os muitos postulantes já conhecidos, certo que quase todos têm o status necessário para uma candidatura. Mas de maneira geral e salvo uma ou duas exceções, têm o perfil apenas de candidato, mas não de presidente.
Alguns que o possuíam, destruíram-no. Outros que buscam tê-lo de forma inflamada, em lugar de o conseguir acabam assustando e amedrontando.
Os brasileiros querem justiça firme para todos os aventureiros e saqueadores que os assolam.
Mas a sabedoria e o instinto do povo alertam para o fato de que não é adequado para aplicar a lei quem no exercício do mandato se torne uma ameaça não apenas para os maus, mas para todos.
A caça que se deseja é aos malfeitores. Ninguém deseja uma caça às bruxas ou um macarthismo que passe a ver culpados em cada oponente ou até em uma simples opinião divergente.
Na procura por alguém assim dotado para aplicar a lei sem partir para as injustiças, como adverte o brocardo summus jus summa injuria – excesso de direito, excesso de injustiça – o nome de Joaquim Barbosa, respaldado pelo que já fez e não pelo que promete, pode ser o que expresse a indignação nacional sem chegar ao extremo de passar a se constituir em um novo mal.
Não se sabe sequer se ele será candidato. Mas se for será um achado alvissareiro nesta busca nacional por um Presidente.
É inédito que um ministro da Suprema Corte atinja uma repercussão que chegou ao ponto de constituí-lo em respeitoso e afetivo tema da grande festa popular, o carnaval de alguns anos atrás.
Certamente ele não prosseguirá com o presidencialismo de coalisão, nome do balcão de negócios que ele já puniu e irá fechar.
Não será uma convivência fácil nem para ele nem para o Congresso. Mas se o parlamento não suportar um governo honrado, provocará uma solução extra constitucional.
Barbosa não é frio nem morno, irradia o calor da indignação.
Mas não o faz pela demagogia histérica, e sim pelo trabalho diligente e firme, que não lhe prejudica a serenidade exigida pela Suprema Magistratura.
Joaquim Barbosa pode ser o nome para o Brasil.
























