Células terroristas encrustadas na tríplice fronteira entre o Brasil, a Argentina e o Paraguai será discutido nesta terça-feira (20), em Brasília. O debate ganha mais expressão, porque será apresentado um relatório que afirma que o contrabando de cigarros ajuda a financiar grupos terroristas.
O tema será inserido no seminário “Segurança e Desenvolvimento: A importância do combate ao mercado ilegal”. Evento ocorre no Centro de Convenções Brasil 21.
A presença de grupos terroristas como o Hezbollah na América Latina, em especial na região da tríplice fronteira tem preocupado as autoridades americanas há algum tempo. A operação destes grupos em parceria com organizações criminosas locais como o Primeiro Comando da Capital tem facilitado a geração de fundos por meio do comércio ilegal de produtos como cigarros na região.
Segundo os primeiros relatos policiais, as quadrilhas conseguem investir ainda mais em atividades como o tráfico de drogas, armas e munições que hoje contribuem de “forma decisiva” para a escalada de violência “que vemos nas cidades brasileiras”.
Emanuele Ottolenghi, sênior fellow da Foundation for Defense of Democracies, já divulgou uma relatório que aponta o contrabando de cigarros como fonte de financiamento de atividade de grupos terroristas, como a organização árabe Hezbollah, sendo o Primeiro Comando da Capital (PCC) o parceiro comercial na América Latina.
O mercado ilegal alcançou índices alarmantes, apesar dos esforços das autoridades repressoras no combate a esse tipo de crime. Produtos ilegais entram pelas fronteiras brasileiras e trazem de carona, o tráfico de drogas e armas e a violência para as cidades. Atacar o contrabando é uma medida extremamente efetiva para a recuperação econômica e colabora duramente para o fim do tráfico e do crime.
Em 2014, Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou um relatório sobre a influência do Irã e as medidas de controle na Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.
O documento afirmou que “em 2013, os governos da América Latina promoveram melhorias modestas em suas habilidades de contraterrorismo e na segurança de suas fronteiras. Corrupção, instituições fracas, cooperação insuficiente entre agências, legislações inexistentes ou fracas e falta de recursos continuam a ser as causas principais para a ausência de progressos significativos em alguns países”.
O Departamento de Estado ressalta a necessidade de melhorar a interação e a cooperação entre as agências de segurança no Brasil, particularmente no que se refere ao compartilhamento de informações.
Sobre as acusações dos Estados Unidos, o pesquisador Juan Tavalera, num documento chamado “Terrorismo na Tríplice Fronteira”, afirmou que as acusações têm finalidade intervencionista e possibilitam ampliar um discurso amparado pela mídia e sujeita a ignorância das massas para que possam fazer suas intervenções e algemar nossas riquezas.
“Os Estados Unidos em sua War for Terrorism 3 utilizam a palavra terrorismo como álibi para a justificação de medidas abusivas, em que as tropas dos EUA se apropriam de espaços estratégicos para o auxílio da sustentação da sua economia, causando guerras, saques e roubos nos países pobres, com o discurso que estão combatendo o terrorismo ou autoritarismo e restaurando a democracia”.
Ele afirma que por uma associação grosseira, na qual em Foz do Iguaçu existem estrangeiros e descendentes oriundos de países do Oriente Médio, sendo que alguns destes países convivem com a realidade das guerras e terrorismo, os Estados Unidos visaram denegrir a imagem de Foz do Iguaçu, criando um discurso generalizado, como se a comunidade Islâmica do Brasil fosse de caráter terrorista.
Juan Tavalera adverte, no entanto, que p problema do contrabando e descaminho de mercadorias na região da Tríplice Fronteira é um fenômeno social já instaurado há mais de quarenta anos e que serve como fonte de trabalho informal para mais de 5 mil pessoas diretamente e quarenta mil indiretamente.


