A política é como nuvem

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E muda de um momento para outro, como ensinou Magalhães Pinto. E da mesma forma que o meteorologista, ao analisar as formações decorrentes, descreve-as e explica sem tomar partido, assim se deve fazer nas análises políticas. 

Mas há pontos que devem ser destacados. No final de fevereiro, quando um personagem antes notório se encontrava em aparente esquecimento, coube a este site, em artigo deste colaborador, fazer o que na linguagem jornalística se chama um “furo”. 

Não através de uma notícia, mas de uma premonição diante do vazio político, publicamos matéria com o título “Joaquim Barbosa, um nome para o Brasil”. 

Rosnaram os que perceberam o perigo de um adversário deste porte, cujos aspectos favoráveis então destacamos. 

Hoje as manchetes anunciam “O candidato que larga com 14 milhões de votos”. 

Isso, com o simples anúncio de que ele poderá disputar a Presidência da República

As razões que inquietam os rivais, corroboram nossos argumentos anteriores e o fazem atingir 10% de apoio do eleitorado, de saída, mexem profundamente com o quadro sucessório. 

O PT já tem dificuldades para substituir Lula, imaginem para achar um substituto que enfrente Barbosa. 

Bolsonaro percebe que os milhões de descontentes passam a ter uma opção mais tranquila e de uma firmeza já posta a prova. 

Marina Silva deve ao País uma explicação pelos seus 4 anos de silêncio, sob o argumento, transmitido pela televisão, de que só fala quando lhe perguntam. 

O ex-governador Alckmin recebe um abraço de afogado do PSDB comprometido como os outros, com Aécio à frente revelando-se não o opositor que parecia ser das mazelas nacionais, mas conivente com elas. 

Até em Minas, Anastasia, que já se decidira pela disputa do governo do Estado, parece hesitar ante o tsunami de que somente sua reputação o tem poupado. 

Ciro Gomes padece de uma falta de serenidade que inquieta um País cansado de sustos permanentes. 

A tragicômica pretensão de Temer a uma nova candidatura, provoca um riso nervoso e um arrepio no MDB, mesmo com sua enorme capilaridade em termos de diretórios por todo o País. 

Meirelles não conhece o Brasil e terá que fazer programas eleitorais com legendas. 

Álvaro Dias é um homem honrado, mas sua cautela e contenção fazem com que lhe falte a pitada incendiária que acenda a chama da paixão eleitoral

Afunilando a análise para dois nomes, percebe-se que o deputado Bolsonaro não é um outsider e Joaquim Barbosa é uma candidatura Sênior. 

Também eu ainda vou decidir em quem votar. 

Mas alguém achará pouco um candidato que é apresentado como menino pobre, afro descendente, que conseguiu formar-se pela Sorbonne, ser ministro e presidente do STF e relator do Mensalão sem o qual não haveria a Lava Jato, pois de nada saberíamos até hoje sem a denúncia do deputado Roberto Jefferson? 

E mais, um homem que do ponto de vista político tem como ponto de referência o presidente francês François Mitterrand? 

Mas política, como dissemos no título mesmo deste artigo, é como nuvem, uma ora está de um jeito e a seguir de outro.

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