Dia do trabalhador, sem emprego

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Essa é a triste realidade a que nos trouxeram os que empalmaram o poder em nome exatamente dos trabalhadores, para em seguida, pela corrupção, destruírem não apenas a Petrobrás como a própria economia do País e o mercado de trabalho, hoje com 14 milhões de desempregados, sem contar os que já desistiram de procurar emprego ou se voltaram para uma informalidade muito abaixo das reais capacidades dos que foram forçados a essa opção. 

“Trabalhadores do Brasil” é um início de discurso que não se ouve desde 1954, quando o Presidente Vargas concluiu sua biografia, registrando de forma magistral “O povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém.”

Mas foi traído pelo lulo-petismo, de cujo líder Brizola se queixava com amargura que indo a São Borja/RS, Lula sequer visitou o túmulo de Vargas, merecidamente chamado de o “Pai dos Pobres”, título que Lula pretendia subtrair para si.

No final da década de 1930 e início daquela de 1940, Getúlio, antecedendo-se a países da importância da França, outorgou as primeiras medidas em favor dos trabalhadores, logo condensadas na CLT, a Consolidação das Leis do Trabalho.

Na minha cidade, a chácara de meu avô limitava com o aeroporto local e marcou-me a lembrança a data em que Vargas ali pousou e a multidão em delírio, tão logo o avião tocou o chão e ainda se deslocava em alta velocidade pela pista, correu atrás da aeronave em desvario apaixonado, no qual o risco era suplantado pelo entusiasmo. 

À frente da multidão minha companheira de infância e que nos acompanhou até o fim, Geraldina Cruz, que via naquele líder simpático e sorridente uma esperança não só para o Brasil, mas para seu próprio e modesto sonho de uma casa própria no bairro da Cachoeirinha, um filete de anseio próprio naquele manancial de esperanças. 

Mas os que vieram depois de Vargas, com exceção da figura notável de Juscelino Kubitschek, que deu ao país infraestrutura econômica em complemento ao ordenamento social de Vargas, nada tinham e nada têm a ver com o povo.

Preocupam-se com o mercado financeiro e com a Avenida Paulista, como se não estivesse expresso na nossa Constituição que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido, da mesma forma que a Constituição dos Estados Unidos teve a extraordinária inspiração de principiar retirando do sujeito a pomposa e opressiva afirmativa “Nós, o Rei…”, substituída pela inspiradora e empolgante declaração de que eram “Nós, o Povo…” que formulavam aquele precioso documento.

Em um Dia do Trabalhador sem emprego, por culpa dos que enganaram os trabalhadores, não basta uma mensagem nem o governo tem autoridade para usar a palavra.

O que cabe é o anúncio de medidas concretas, com um plano de frentes de trabalho, que JK usou para resgatar em sua época milhões de brasileiros. Da mesma forma que o presidente Roosevelt, na grande recessão de 1929, em vez de apertar mais a população, fez com que o governo agisse como ponto de escape da panela de pressão. Através do Plano do Vale do Tennessee, pôs a economia em paulatino movimento, que ganhou velocidade e tirou o país da situação dramática de ver multidões deambulando pela sua própria pátria, como refugiados em seu próprio País.

O plano de JK para o segundo governo era a malha ferroviária que o Brasil não tem, mas pode obter em acordo ou tratado, por exemplo, com a República Popular da China, que seria a investidora, remunerada pelos que utilizassem o complexo de transportes, mas estabelecendo-se no acordo exclusividade ou predominância de mão de obra nacional em todos os níveis da hierarquia empresarial.

Trabalhando, os brasileiros receberiam e poderiam gastar em benefício do resto da economia, que se ressente exatamente da falta de movimento e rendimentos, pela brusca queda de clientela.

Aos que trabalham e sobretudo àqueles que não estão tendo oportunidade de trabalhar, a homenagem e o respeito do país, porque não são só eles, mas com eles todos nós, os trabalhadores ultrajados nesta grande Nação.

Viva o Povo Brasileiro.

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