Os partidos e personalidades de centro deverão ter dificuldades em outubro.
Freud sustentava que a multidão tem um nível de exigência moral elevado, uma avaliação intelectual suplantada pela emoção e uma noção de responsabilidade minorada, porque partilhada entre muitos.
O grande pregador Padre Antônio Vieira assinalava que o êxito do líder depende do tema que trata, do estilo que segue, do tom com que fala e da autoridade que tem.
Daí se deduz que não é possível pretender uma solução ortodoxa para uma situação heterodoxa como a que vive o País.
Ou seja, o povo não faz acordo.
O nível de irritação política atingido pela população supera quaisquer precedentes.
O povo não está procurando a verdade, ele considera que já encontrou a verdade.
E esta, queiram ou não, é de que a classe política como um todo é desprezível e por isso deve ser, mais do que descartada, rejeitada em bloco.
Não estão em julgamento pessoas ou partidos mas um estilo de fazer política que marcou o período de redemocratização a partir da Constituição de 1988, a qual é muito melhor que os atores, dos três poderes, que não conseguiram dar-lhe, na prática, a grandeza dos seus propósitos.
Assim, presidencialismo de coalizão é no entendimento e na língua do povo uma enorme safadeza, já condenada de há muito, cabendo destacar que o que se julgou e condenou é toda uma época e estilo de fazer política.
Por outro lado, esse sentimento de repulsa se exacerba quando são propostas soluções pelos mesmos personagens que criaram a situação vivida, da mesma forma que se agrava o problema quando discutido de maneira acadêmica por aqueles que conhecem apenas a teoria mas nunca disputaram eleição ou entendem o que é o eleitor, ou seu conjunto, o eleitorado.
Desta forma, de nada adianta que os pré-candidatos com baixo índice nas pesquisas acreditem que um acordo poderá gerar alguém de sua confiança e com cacife para a disputa que se avizinha.
O eleitorado não os acompanhará.
Os grandes líderes da história não arrebanharam multidões atrás de si acenando com um tratado, mas sim fascinando com o seu carisma que é sempre muito mais um convite à aventura do que um conselho à prudência e à moderação.
No nosso caso o carisma pousará naquele que encarne a indignação nacional e que apesar de propositadamente ser ignorado por pesquisas e divulgações, estará na boca da urna, como já está na boca do povo.
Outubro não parece ser uma época que favorecerá os moderados, mas os decididos, na visão popular, a por cobro a desmandos, desrespeito e abusos.
Parece claro que o povo bradará pelo guarda da esquina.

