A campanha chega a seu miolo e, até o momento, nada ocorreu para alterar o quadro geral do segundo turno da disputa. Faltando pouco mais de dez dias para a votação, Jair Bolsonaro (PSL) segue com confortável vantagem sobre Fernando Haddad (PT).
*Mesmo com metodologias distintas, as pesquisas de intenção de voto apresentam números similares. Na última segunda-feira, foram divulgados os resultados do Ibope e da FSB/BTG Pactual. Em ambas, Bolsonaro aparece com 59% dos votos válidos, contra 41% de Haddad, o que demonstra uma tendência.
*No que diz respeito aos apoios partidários, os movimentos se deram dentro do esperado. A maioria dos partidos se decidiu pela neutralidade no segundo turno. Bom para Bolsonaro, ruim para Haddad. Tanto que o candidato do PSL tem conseguido a adesão de boa parte de integrantes das agremiações de centro-direita, e também espaço em importantes palanques nos estados, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Isso se explica pelo fato de que esses mesmos partidos liberaram os seus militantes, líderes e representantes para apoiar qualquer um dos presidenciáveis. Já o petista não conseguiu avançar para o centro e concentra seus apoios na esquerda, gerando poucos votos novos.
*O apoio crítico do PDT não caiu bem no comando de campanha de Haddad. O PT esperava maior empenho e participação do partido de Ciro Gomes, que, por sinal, embarcou para o exterior. A conflituosa relação entre PT e PDT ficou evidenciada na fala do senador eleito Cid Gomes, irmão de Ciro. Durante ato do PT no Ceará, ele disse que “o partido de Haddad perderá feio” por ter deixado de fazer um “mea culpa”. [Veja o vídeo na seção vídeo, ao lado]
*As propostas dos dois candidatos seguem suscitando dúvidas. As declarações ambíguas de Bolsonaro sobre a reforma da Previdência, a Eletrobrás e a Petrobras incomodaram o mercado, que espera medidas de austeridade logo no início do novo governo. Mesmo assim, o capitão reformado não perdeu o apoio do setor.
*A militância petista, conhecida por sua garra, dá sinais de desânimo. Apesar disso, os atos de campanha não serão alterados e a busca pela virada seguirá até o dia da votação. O objetivo, difícil mas não impossível, é conseguir votos de eleitores de Bolsonaro. Nas redes sociais, a campanha é intensa.
*Por fim, Bolsonaro não deverá mesmo comparecer a debates. O PT esperava esses embates para deixar mais claras ao eleitorado as contradições e falhas do adversário. A larga vantagem do candidato do PSL sobre o petista explica a decisão de Bolsonaro se ausentar dos debates na reta final da campanha – quanto menos riscos se correr, melhor para o líder.




























