Posse e mandato com segurança máxima

Bolsonaro no Planalto
Bolsonaro contribuiu na desinformação em meio a pandemia que já matou milhares de brasileiros/Arquivo
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Esta não será uma posse nem um mandato com as mesmas características daqueles a que estamos habituados.

Verificou-se no País uma revolução pelo voto, desenvolvida a partir de 2013 até o pleito recente, substituindo um partido radical de esquerda pelo antídoto da resistência e vigilância das forças do bem.

Uma mudança das dimensões prenunciadas, não se inaugura nem se consuma como se fora apenas uma festa e uma expressão de alegria.

Não.

O que ganha relevo na solenidade de 1˚ de janeiro de 2019 é a necessidade de implacável segurança, desconfiada até daqueles que possam ter sido eventuais apoiadores.

Para isso, não se pode fazer uma única concessão no que respeita à segurança do presidente eleito.

E esse propósito tem no caso dois inimigos declarados desde o princípio, um de natureza geográfica e outro na vocação brasileira para abrir exceções.

O geográfico é a gigantesca Esplanada dos Ministérios, ampla o suficiente para abrigar um campo de batalha, mas precisando apenas de um ensejo para que de uma de suas incontáveis janelas espouque o estampido do ódio que demorará até para ser distinguido dos rojões da alegria.

Uma posse que seja planejada com desfile em carro com capota descida, realizada ainda que minimamente a céu aberto, equivale a entregar o ouro para o bandido.

O presidente deve desfilar o tempo todo em carro fechado e blindado, bem como revista de tropa, transmissão de cargo e oitiva do Hino Nacional realizadas com a visão assegurada por telões para garantir que o empossando assuma e governe, pois esse é o objetivo nacional.

Mas certamente não é o daqueles milhares que estão sendo alijados de seus postos e cargos, para quem o ideal é que tudo mais uma vez se frustre na desesperança e na falta de solução.

O outro inimigo, consubstanciado no jeito brasileiro de ser, é formatado pela burocracia, inclusive diplomática, com fixação pelos detalhes oligofrênicos em incapacidade de percepção de que desta vez o evento há de ser conduzido não por punhos de renda mas manu militare, ainda que de forma menos festiva que a habitual, mas certamente mais auspiciosa do que os acontecimentos da Rua Halfed de Juiz de Fora.

Na qualidade de quem conviveu com o ambiente militar, como eu convivi, exercendo funções de assistente jurídico dos presidentes Geisel e Figueiredo e do ministro Golbery do Couto e Silva, tive oportunidade de estabelecer relacionamento com os setores de segurança do Palácio do Planalto, especialmente com o chefe da segurança pessoal desses presidentes, o então coronel Germano Pedroso, de quem me aproximei pela afinidade na leitura de trabalhos sobre Napoleão Bonaparte.

Misturando vários tipos de conversa disse-me ele que a cerimônia de subida e descida da rampa do Palácio do Planalto à terças e quintas-feiras, pelo presidente da República, que de resto permanecia impávido por vários minutos ouvindo a execução do Hino Nacional, constituía uma das maiores estupidezes praticadas em matéria de segurança, arrematando:

“Qualquer atirador de elite mete nele uma bala na testa atirando a mil metros de distância.”

Os competentes serviços de segurança de nossa Forças Armadas certamente não precisam de lições civis sobre proteção pessoal.

Mas não é demais somarmos nossa preocupação à de tantos outros brasileiros, para que não se verifiquem episódios como o da Rua Halfeld ou o do presidente Kennedy em Dallas, no Texas.

Afinal de contas, Adélio Bispo não morreu.

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