O advogado Ibaneis Rocha (MDB) assume nesta terça-feira o governo do Distrito Federal. Venceu o segundo turno das eleições com larga vantagem do governador Rodrigo Rollemerg (PSB). Para conquistar o eleitorado e reunir uma lista imensa de partidos políticos ao seu lado, fez muitas promessas e concessões. Ibaneis garante que vai cumpriu seus compromissos nos próximos quatro anos.
Sua tarefa e do seu secretariado não será fácil. Garante que fará uma administração “diferente”. Seus assessores tem o carimbo de administrações passadas, do governo Michel Temer (MDB) e de velhas raposas da política local. Ele garante que não atendeu aos políticos e que o seu governo terá a marca técnica.
Os desafios são grandes, como organizar a saúde, que foi o calcanhar de Aquiles de Rollemberg. Nas administrações regionais, Ibaneis Rocha disse que vai nomeará os administradores por um mandato tampão de até três quatro, meses até que se resolva a questão da eleição. “Vou sentar com o pessoal da Casa Civil e fazer uma avaliação das opções para publicar as escolhas no dia 2 ou 3 de janeiro”.
Ibaneis falou sobre suas metas numa entrevista que concedeu ao CB. Veja os principais tópicos.
“A ideia é fazer um decretão, mas, em seguida, ir nomeando outros. Em alguns locais, que são muito sensíveis e têm poucos funcionários, pedi que eles encaminhassem uma lista. É um caso que não pode parar, por exemplo, o SOS Criança. São programas que precisam de atendimento constante”.
“A ideia é entrar com medidas emergenciais, principalmente, na área de saúde, que é muito carente. Tem muita gente mal nos hospitais. Tenho recebido relatos horríveis: de corredores, emergência. Então, estou com vários decretos sendo elaborados para que possamos publicá-los já no dia 1º e colocar a reestruturação em prática”.
“Também pretendemos fazer uma reestruturação muito forte na área de segurança. O DF, há muito tempo, vive um problema de segurança muito grande. Temos duas corporações que não se entendem de forma alguma. Temos um secretário de Segurança que não tem poderes. Hoje, o diretor da Polícia Civil e o Comandante da Polícia Militar chegam diretamente no governador. Isso não vai acontecer mais. Eles terão de passar pela Secretaria de Segurança. Vou empoderar meu secretário de Segurança. Vai ter de ser feita segurança pública de uma forma bastante organizada, com hierarquia e disciplina. Então, virão decretos na área da segurança para que possamos organizá-la. Esse modelo que está aí desde o governo Arruda não funcionou, está claro. Então, não será o nosso. Eu nem sequer vou atender Diretor da Polícia Civil ou comandante da Polícia Militar sem a presença do secretário de Segurança”.
“Não tenho medo de pressão. Não tenho medo de greve. Tenho a população ao meu lado. Quem quiser trabalhar em parceria… Vou respeitar todas as corporações, fazer com que elas possam crescer e melhorar. Mas meu principal objetivo é entregar serviço para sociedade. É para isso que fui eleito. Se eles quiserem impedir, vão encontrar alguém muito duro, e vou colocar a população contra eles também. Então, acho que a hora é de tentar harmonizar”.
“Vou arcar com todos eles (compromissos de campanha). Vou chamar todas as corporações para conversar. Já estou trabalhando nesse sentido. Para se ter ideia, o pessoal da Polícia Militar estava prestes a perder o auxílio-moradia, que foi dado por decreto na época do Agnelo. Fui ao Tribunal de Contas pedir para que os conselheiros não julgassem até que eu organize a situação. Já estou trabalhando nesse sentido. Vou fazer o comparativo para saber qual o reajuste de cada uma das forças. Então, vou sentar com eles e ver qual a forma de pagar, e a partir de qual data”.
“Não temos condições de pagar de uma vez (paridade da Polícia Civil). Quero dividir. Acho que é uma maneira de dar o escalonamento e, conforme a economia vá melhorando, teremos uma arrecadação melhor de tributos e podemos até antecipar essas parcelas. Mas precisamos pensar dentro do nosso orçamento e hoje. E, dentro do orçamento de hoje, dá para pagar uma parcela da paridade e deixar as demais para os anos seguintes”.
“Fui atrás de pessoas com experiência. Por exemplo, a nomeação que fiz para a Terracap. Notei que a Terracap é um verdadeiro banco imobiliário e tem condições, por meio dos fundos mobiliários, de criar grande desenvolvimento para o DF. Então, busquei uma pessoa de mercado. O ministro Occhi foi presidente da Caixa, estava no Ministério da Saúde e é um camarada que tem respeito no mercado. Então, por meio disso, juntamente ao BRB, podemos fazer muita coisa”.
“Se for vender R$ 675 milhões em ações para pagar o rombo daquilo que a CEB não produz, não concordo. Esse dinheiro tem de vir para investimento dentro da empresa, para que ela se valorize cada vez mais. Essa é a mudança de pensamento que tem de existir. Porque o modelo anterior não serviu. Temos uma ineficiência muito grande em relação à CEB, um nível muito grande de reclamação e uma das tarifas de energia mais altas do país. De que adianta ter uma empresa igual ao metrô, que está encastelado, dando prejuízo para o governo do DF e para a população, por exemplo?”
“Não será feita a concessão (Metrô-DF) apenas se não aparecerem empresas interessadas. Vamos fazer o chamamento já nos primeiros dias de janeiro. O metrô dá R$ 300 milhões de déficit todos os anos e não atende a população. Porque, se fosse para pagar R$ 300 milhões, mas funcionasse bem, acho até que valeria a pena, porque algumas coisas realmente são deficitárias. Mas ele tem de dar um retorno. E qual o retorno que o metrô dá para a sociedade? Vamos expandir o metrô, melhorar o atendimento, diminuir o déficit e dar segurança para os servidores. Dou um exemplo: a grande maioria dos metrôs funcionam sem bilheteiros. No DF, eles ganham quase R$ 8 mil”.
“Nós todos que fomos eleitos neste pleito somos fruto da necessidade de uma política diferente. Tanto os deputados federais e senadores, quanto os distritais, têm uma consciência política diferente. Na Câmara Legislativa, por exemplo, há 18 deputados da minha base, que integram 16 partidos. Se eu fosse atender, teria que entregar uma secretaria para cada deputado. Que governo seria esse? É um jeito de fazer política que assumi, e isso não tem me trazido problemas. Por exemplo, a eleição da Mesa Diretora da Câmara Legislativa, pela primeira vez da história do DF, foi decidida com duas semanas de antecedência. Isso é prova de que essa é a política que deve ser feita. E eu não dei um cargo para ninguém”.
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