Sendo a liberdade de imprensa uma garantia constitucional, claro é que não se destina apenas à própria imprensa, mas à Nação.
É garantida a publicação da verdade, da mesma forma que a leitura dela, sem tendências que não sejam aquelas expressamente declaradas por quem a publica.
É razoável que um jornal de direita ou de esquerda analise os fatos de acordo com suas convicções.
Não se pode, no entanto, simulando isenção, fazer um somatório de fatos negativos ou positivos, com publicação compactada no horário nobre, de forma a induzir o público a concluir que ele é que está considerando a situação grave ou não, pela simples força dos próprios fatos e sem influência de qualquer ideologia – isto é fake view, uma forma sofisticada de fake news que resulta de fatos verdadeiros que se distorcem pela apresentação coletiva, sequencial e exaustiva.
Cinco ou dez ilícitos publicados em sequência levam a concluir que há um colapso da ordem. Da mesma forma que outras tantas ocorrências, todas benéficas, causariam a convicção de que o País passara a integrar os paraísos nórdicos, sem os percalços próprios daqueles em desenvolvimento.
Nos últimos dias uma parte da mídia tem divulgado uma carga de tal forma negativa de informações que leva a concluir não ter sequer ocorrido mudança de governo ou passado a existir oportunidade de uma segunda chance para o País.
É preciso que os fatos sejam divulgados não apenas como eles são, mas também na proporção em que ocorrem, a qual não pode ser forçada num ou noutro sentido, nem deixar de considerar que em país com população de mais de duzentos milhões de habitantes qualquer percentual aplicado se torna impressionante.
No entanto, não se vê sequer uma tênue referencia às tremendas possibilidades do Brasil, que já se situa nos Brics e como oitava economia do mundo.
As notícias execráveis sobre qualquer país nunca levaram, por exemplo, quem quer que seja a considerar inviáveis os Estados Unidos da América, sem embargo dos massacres quase habituais em escolas e reuniões, que não lhes retiram, apesar do horror, a grandeza e a atração que exercem sobre todo o mundo, a ponto de se cogitar de uma fronteira murada para conter o entusiasmo que inspira aquela Nação.
É preciso dar uma trégua noticiosa e psicológica ao Brasil, para noticiar tudo que ele tem de bom, de grandioso, de promissor e alvissareiro, animando seu povo e galvanizando sua gente.
A briga partidária que se trava pela imprensa tem como vítima o Brasil, a respeito do qual ninguém cuida nem se inquieta, deixando ainda de considerar que o estilo do noticiário atual dissemina as ideias das más práticas e é feito exatamente por aqueles que receberam milhões de propinas, causaram bilhões de prejuízos e quase destruíram uma economia de cinco trilhões de reais.
Não deviam sequer sair de casa, quanto mais vender publicações.
Liberdade de imprensa sim, mas para todos, para quem publica e para quem lê, que não pode ser induzido ao erro de concluir pelo colapso de um país por causa de uma dezena de incidentes reduzidos na sua repercussão pelo fato de retratarem não um pequeno país, mas este outro, com 8.500.000 km2.


