O novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, está sendo visto com desconfiança pelos funcionários da instituição. Não é pela competência profissional, mas por suas ligações com o Banco Brasil Plural, que é o principal credor no processo de recuperação judicial da empresa Ecovix, onde também figuram a Caixa e o Banco do Brasil. Guimarães foi simplesmente o sócio e diretor do Banco Brasil Plural.
Em nota publicada esta tarde, a Associação dos Auditores Internos da Caixa Econômica Federal, afirma que a incompatibilidade é “evidente”. Ela ocorre, segundo a AudiCaixa, por conflito de interesses, de um sócio-diretor do Brasil Plural ocupar qualquer cargo de gestão na Caixa ou no Banco do Brasil. Segundo os auditores, “há suspeita de envolvimento na supervalorização artificial registrada pelo FIP Florestal, fundo do qual a empresa Brasil Plural é gestora”.
Em agosto do ano passado, a justiça homologou o plano de recuperação judicial do estaleiro Ecovix, do grupo Ecovix, que tinha listado dívidas de cerca de R$ 8 bilhões. A companhia foi investigada pela Operação Lava Jato por conta de operações com a Petrobras para entrega de seis ou sete plataformas petrolíferas. Só conseguiu entregar quatro. A mais famosa é a plataforma P71, que virou sucata.
O Plural Brasil é um banco bastante especializado, ou como informa em seu sítio eletrônico, um banco múltiplo com diversos focos e clientes institucionais. A sede fica em São Paulo e tem filiais em Miami, Rio de Janeiro e Nova Iorque.
No seu corpo executivo constam seis executivos, entre os quais, Evandro Pereira, que foi diretor de Finanças Corporativas do Grupo EBX até 2011. O grupo empresarial praticamente quebrou depois que seu principal sócio foi investigado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro pela Lava Jato. No final de novembro de 2017, o empresário Eike Batista, presidente do grupo EBX, afirmou em depoimento no Senado à CPI do BNDES, que o Ministério Público faz um trabalho “excelente”. Eike foi condenado a 30 anos de prisão.
Nota da AudiCaixa
É com imensa preocupação que as entidades representativas dos empregados da Caixa acompanham a indicação do sócio e diretor do Banco Brasil Plural, Pedro Guimarães, para a presidência da empresa pública federal.
O Brasil Plural é o principal credor no processo de recuperação judicial da empresa Ecovix, na qual Caixa e Banco do Brasil também são credores.
É evidente, portanto, a incompatibilidade, por conflito de interesses, de um sócio-diretor do Brasil Plural ocupar qualquer cargo de gestão na Caixa ou no Banco do Brasil.
Além do evidente impedimento, pesa contra a empresa de Pedro Guimarães a suspeita de envolvimento na supervalorização artificial registrada pelo FIP Florestal, fundo do qual a empresa Brasil Plural é gestora. A operação causou prejuízos à Funcef e à Petros e está sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal no âmbito da Operação Greenfield.
Esses motivos tornam a indicação de Pedro Guimarães extremamente temerária e suspeita, para muito além dos interesses privatistas os quais, ademais, jamais foram mantidos em segredo.
É importante lembrar que a CAIXA não pertence a um Governo, mas ao Estado Brasileiro. A CAIXA mantém hoje a melhor estrutura de capital entre todos os bancos brasileiros, já alcançou este ano o maior lucro da sua história, vem sendo administrada nas últimas gestões por empregados de carreira da empresa e continua sendo o banco essencial para a sociedade. Precisamos estar atentos.























