Dois meses depois de vencer a Segunda Guerra Mundial, que terminou na Europa em 08.05.1945, Winston Churchill, submetido a eleições gerais em que se opôs a inovações previdenciárias em favor da população, foi derrotado pelos trabalhistas liderados pela figura pouco expressiva de seu líder Clement Atlee.
Basta isso para perceber que a insistência do Mercado em impor uma reforma previdenciária contra os pequenos, mesmo quando não organizados em grupos, poderá gerar uma mobilização pelas redes sociais de proporções significativas, ao mesmo tempo em que dará a bandeira que pedem as oposições e a esquerda.
A Previdência poderá obstacular o exercício da Presidência.
Com efeito, sem embargo de precedentes representados por governos que em seu primeiro dia, para o bem ou para o mal, sacudiram a Nação, como ocorreu com a administração Collor, o atual governo, depois de duas longas semanas após uma interminável transição, continua reunindo-se, declarando, confundindo-se, desmentindo-se.
Tudo menos agir.
Esse tempo é gasto em perscrutar a psicologia do mercado e suas reações calculadas, enquanto o Ceará pega fogo e as mulheres são sistematicamente assassinadas.
E parece haver um acordo sado-masoquista entre o governo e a mídia: “Eu erro e você divulga”.
Isso sim tem tido um extraordinário êxito, com o governo perdendo de lavada não só a guerra da informação e da contra-informação, isso enquanto estuda interminavelmente quais as normas e leis que podem ser votadas e adotadas, quando na verdade o Brasil já as tem para tudo e para todos, pecando apenas por não aplica-las, por falta de quem o faça.
O tsunami eleitoral que levou o fenômeno Bolsonaro à Presidência da República não se formou e realizou para discutir maldades previdenciárias, mas para acudir no primeiro dia e no primeiro instante a segurança pública entregue à própria sorte, bem como para adotar medidas de emergência nos hospitais e na saúde pública, onde o calvário do povo brasileiro leva às lágrimas até pelas fotos e pelos vídeos.
Não é papel do executivo preocupar-se primordialmente em legislar, mas sim em administrar.
Não se conhece nenhum embate legislativo de vulto envolvendo Juscelino Kubitschek, cujas metas eram de ações que ele consumou com a legislação disponível.
Se o governo for negociar leis para então agir, ignorando todo o aparato legal disponível, será um joguete nas mãos do Congresso e se esvaziará rapidamente o enorme prestígio que adquiriu.
A reforma da Previdência, como sabotagem, é o sonho da esquerda. Como negociata, a ambição dos cassinos travestidos em bolsas de valores.
Afinal, que reforma é essa que os banqueiros defendem e os trabalhadores repudiam?
Paulo Guedes declarou há dias que repassamos anualmente aos bancos US$ 100 bilhões de serviço da dívida, o que ele definiu como o equivalente a reconstruir uma Europa por ano.
Em lugar da reforma da Previdência, porque não uma reforma bancária, com os instrumentos legais de que o governo já dispõe e os juros praticados no restante do mundo civilizado? Isso não é calote nem moratória.
A Reforma da Previdência está se transformando em uma manobra diversionista que afasta o governo do seu trabalho e do seu povo.
É preciso voltar às promessas de campanha: Segurança e Saúde, que não esperam.


























