O lapso do óbvio

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Professores universitários esquerdistas são a classe mais arrogante que há. Acham-se no direito não somente de opinar ideologicamente, mas de conduzir, doutrinar e manipular seus alunos, os meios de comunicação e o ensino superior, de modo geral. Ontem houve um problema entre mim e um professor esquerdista de uma universidade federal.

Vejam bem, uma professora da UnB, decana na área da Linguística, postou um texto curto sublinhando o fato de que quando o governo Dilma lançou as campanhas “Outubro Rosa” e “Novembro Azul”, ninguém reclamou das cores associadas aos respectivos gêneros. Óbvio, não é? Não. É claro, meia dúzia de eternos descontentes protestaram na postagem da professora.

De insultos a ataques diretos, passando por um discurso didatista-pedagógico autoritário da pior qualidade, amigos da professora atestaram o quanto são intolerantes e grosseiros com o que não é espelho. Entre os comentários estúpidos, chamou minha atenção o de um professor espanhol que dá aulas de galego — língua de grande expressão no planeta — em uma universidade federal. Já o conhecia, en passant, dessa mesma universidade.

O fato de ele ser de esquerda nunca me incomodou, mas o de ser arrogante, sim. Ao ler seu comentário desagradável e grosseiro, insatisfeito com o atual governo e criticando a professora, fiquei muito surpresa. Cara de pau não tem limite.

É claro que estrangeiros podem ter opinião política. Mas, de acordo com a Lei (texto retirado do site da Conjur), “o Estatuto do Estrangeiro (Lei 6.815/80, artigo 107) dispõe que o estrangeiro admitido no território nacional não pode exercer atividade de natureza política, nem participar de desfiles, passeatas, comícios e reuniões de qualquer natureza no Brasil, podendo ser detido e expulso do país. A lei submete ainda à pena de expulsão o estrangeiro que, de qualquer forma, atentar contra a segurança nacional, a ordem política ou social, a tranquilidade ou moralidade pública e a economia popular, ou cujo procedimento o torne nocivo à conveniência e aos interesses nacionais, ou desrespeitar proibição especialmente prevista em lei para estrangeiro (artigo 65, d)”.

Não seria necessário citar todo o trecho se houvesse bom senso. Alguém que não é brasileiro e se põe a censurar e a criticar um governo legitimamente eleito pelo povo brasileiro está realmente agindo de forma descabida.

À parte a tonelada de direitos que o professor diz ter, cabe-lhe um pouco de humildade e de respeito pela escolha dos brasileiros.

E pela opinião da professora em cuja postagem comentou de forma leviana e desrespeitosa, como vêm fazendo outros “colegas” de profissão. O que pude sugerir a este professor, sumidade do galego? Ora, o óbvio ululante: se não está satisfeito, que volte à Espanha.

Mas, completo agora, se quer viver aqui, que tenha a delicadeza de respeitar os outros, a escolha democrática do povo, o presidente da República, a opinião da colega de área — linguista conceituadíssima, aliás.

E o que o professor fez, em seguida? Fotografou meu comentário e postou em seu perfil, salientando, em tom de pilhéria, o fato de que sou evangélica.

Foi prudente em esconder minha identidade, mas, chamando-me ironicamente de “irmã”, mostrou-se horrorizado, porque sugeri que volte a seu país, caso o novo governo o incomode tanto. Aliás, ele e mais um punhado de doutos, que acham que o Brasil é a casa da mãe Xóana, em que qualquer um faz o que bem lhe dá na telha. Lembro que por seu trabalho de jornalista o norte-americano Larry Rother foi ameaçado de expulsão do Brasil, pois o então presidente, Lula, sentiu-se ofendido com as reportagens publicadas no NYT.

Você não está no seu país? Respeite o país alheio. Respeite sua cultura, a religião de seu povo, as escolhas políticas, as instituições. Caso contrário, sendo você japonês, paquistanês, italiano, espanhol, indonésio ou canadense, pode responder legalmente por seus atos.

É simples assim. No seu país, coloque coletes amarelos, destrua metade dos Champs-Élysées, insulte o presidente eleito, vote em quem quiser. Mas, em país alheio, atenção à lei vigente e aos costumes locais.

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