O professor Adailton Charles de Albuquerque Silva, que morreu envenenado por chumbinho, suspeitava de um esquema de divisão de dinheiro dentro da Secretaria da Educação do Distrito Federal. Num áudio encaminhado a um amigo, Adailton falou em “rachadinha”.
Ele foi diretor do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 419 Norte e disse que indicou três empresas para realizar obras no colégio. No áudio, o professor afirma que as indicações não foram aceitas, porque havia outros interesses dos chefes na Secretaria.
No áudio, degravado pelo site Metrópolis, Adailton fala em prestar contas e acertar com o pessoal.
“Quinta-feira eu vou lá na escola, vou fazer os acertos com o pessoal: passar extrato bancário, essas coisas que eu tenho que passar. Estou recolhendo uns documentos particulares para fazer uma denúncia formal na [Coordenação] Regional de Ensino”.
“Eles nunca repassaram para mim. Seguraram o dinheiro e agora estão utilizando da forma como eles querem, contratando a empresa que eles querem também. Acho que está havendo rachadinha lá”.
“Andei conversando com os colegas e está havendo ‘racho’ de dinheiro, propina para beneficiar empreiteiros. Por isso que eu indiquei dois ou três empreiteiros lá e eles não aceitaram de jeito nenhum. Seguraram o dinheiro até agora em janeiro. Agora, está de vento e popa, liberando dinheiro à vontade lá. Então, vou fazer essa denúncia, vou recolher tudo que eu tenho de prova, de gravação, e vou arrebentar a boca do balão lá.”
“Vou botar no pau esse povo, comigo vai ser tudo na Justiça”.
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