Sobre o segundo turno das eleições municipais

Eduardo Paes e Marcelo Crivela
Eduardo Paes e Marcelo Crivella disputam a prefeitura do Rio de Janeiro/Arquivo/Rádio88
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Texto de André César

A disputa eleitoral de 2020 chega ao fim, com a realização do segundo turno em 57 cidades. O saldo final já é conhecido – um quadro fragmentado, com diversos partidos conquistando prefeituras importantes. O eleitor, por sua vez, mandou um recado claro ao rejeitar propostas mais extremistas, especialmente à direita. Os partidos moderados de centro, assim, ganharam mais espaço na cena nacional.

São Paulo – na capital paulista, a campanha em segundo turno foi marcada pelo crescimento significativo da candidatura de Guilherme Boulos (PSol). Ele ainda aparece pouco atrás de Bruno Covas (PSDB), mas o efeito “reta final” pode mudar o quadro. Covas segue levemente favorito, mas tem contra si o fato de que seu eleitorado, mais velho, pode ter medo de enfrentar aglomerações no dia da votação por conta da Covid.

Rio de Janeiro – a capital fluminense é a única onde aparece um franco favorito. O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) tem larga vantagem sobre seu adversário, o atual titular Marcelo Crivella (Republicanos). A caótica gestão desse último levou os mais variados segmentos da vida política local, inclusive parte da esquerda, a declarar apoio a Paes. O jogo está praticamente resolvido.

Porto Alegre – outra cidade que chega ao final do segundo turno com resultado absolutamente indefinido. Sebastião Melo (MDB) está pouco à frente de Manuela D’Ávila (PCdoB). O emedebista conta com o apoio de setores mais conservadores do eleitorado, em especial aqueles que combatem o chamado “perigo do comunismo”. A campanha na capital gaúcha foi das mais polarizadas no país e esse quadro poderá se refletir na nova administração.

Recife – mais uma disputa absolutamente acirrada, que chega ao final com uma disputa entre esquerda e centro-esquerda com uma peculiaridade: os dois candidatos são parentes. Marília Arraes (PT) e seu primo, João Campos (PSB), estão virtualmente empatados, o que contribuiu para elevar o tom das campanhas. Trocas de acusação e denúncias marcaram os últimos dias, deixando em segundo plano a parte programática das candidaturas. Não há favorito.

Fortaleza – o segundo turno na capital cearense foi marcado por uma ampla união de forças políticas que vão da centro-direita à esquerda em torno da candidatura de Sarto Nogueira (PDT). O candidato de Ciro Gomes recebeu o apoio de lideranças nacionais de PSDB, DEM e PSOL, entre outros, contra Capitão Wagner (PROS), que tem o suporte do presidente Jair Bolsonaro. Trata-se, na prática, de uma espécie de laboratório que, tendo sucesso, pode ser replicado em 2022, nas eleições presidenciais.

Belém – a capital paraense também assiste a um embate entre esquerda e direita. Edmilson Rodrigues (PSOL) e Eguchi (Patriotas) estão virtualmente empatados. O primeiro tem a seu favor a experiência, pois já comandou a prefeitura. Já o candidato do Patriotas aposta suas fichas no apoio recebido do presidente Jair Bolsonaro. Não se pode apontar um favorito.

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