Bolsonaro e a sucessão na Câmara

Bolsonaro e o ministro Fábio Faria
Ministro das Comunicações poderá ser o coringa de Bolsonaro como candidato à presidência da Câmara/Arquivo/Divulgação
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Texto de André César

Enquanto o Supremo Tribunal Federal discute a possibilidade de recondução das Mesas Diretoras do Congresso Nacional na mesma legislatura, o mundo político se move. Já é aberto o confronto entre o grupo do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o Planalto.

É praticamente inevitável o envolvimento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no processo sucessório da Câmara dos Deputados. Ao longo dos dois primeiros anos de seu mandato, o titular do Planalto manteve uma relação tensa com o presidente da Câmara. A possibilidade de ter um aliado de Maia no comando da Casa pelos próximos dois anos praticamente obrigou o governo a entrar em campo.

A disputa será pesada e fatalmente deixará sequelas. O apoio de Bolsonaro a Arthur Lira (PP-AL), a principal liderança do Centrão, tem fácil explicação – o parlamentar é bom negociador, comanda o megabloco suprapartidário (cerca de duzentos deputados) e tem algum trânsito inclusive na esquerda. Lira é tido por seus pares como um “cumpridor de acordos”, um ativo valioso no meio político. Mas há também obstáculos à sua candidatura.

O principal problema do parlamentar, hoje, são as denúncias de atos ilícitos, inclusive a prática de “rachadinhas” em seu período de deputado estadual, na Assembleia Legislativa de Alagoas. Além disso, ele teria sido afoito em negociações recentes no Congresso, em especial na disputa pelo comando da Comissão Mista de Orçamento. Até mesmo aliados não gostaram de suas movimentações recentes.

Caso a candidatura de Lira perca força política, o Planalto poderia lançar o ministro das Comunicações, o deputado licenciado Fábio Faria (PSD-RN), que igualmente tem bom trânsito junto a seus pares. Essa escolha, porém, gera dois problemas – o governo perderia um ministro com boa atuação à frente de sua pasta e, pior, o preterido Lira se sentiria desprestigiado e estimulado a partir para a oposição a Bolsonaro, levando consigo um bom número de deputados (ecos de Eduardo Cunha inevitavelmente surgem na memória).

Cabe lembrar que o apoio da oposição à esquerda será fundamental para a definição do novo presidente da Casa. No limite, esse grupo será o fiel da balança e os postulantes ao comando da Câmara precisarão estabelecer um bom diálogo para conseguir esses votos.

Enfim, Bolsonaro entra em mais uma disputa arriscada, que coloca novamente em risco parcela de seu capital político. Ao apoiar candidatos pouco competitivos nas eleições municipais, o presidente saiu chamuscado. Um novo revés na disputa parlamentar poderá atrapalhar inclusive seus projetos reeleição, em 2022.

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