Texto de Vivaldo de Sousa
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou, em 11 de março de 2021, o novo coronavírus como uma pandemia. A classificação da Covid-19 como pandemia indicava, na época, que uma transmissão recorrente estava ocorrendo em diferentes partes do mundo e de maneira simultânea. Era hora de planejar e agir.
Na prática, ao reconhecer a pandemia, a agência de saúde orientou os governos para trabalharem não mais para apenas conter um caso, mas para atender uma parcela da população mais ampla e vulnerável e adotar tentar controlar os novos casos. Em outras palavras, a decisão da OMS representou um pedido para que os governos adotassem medidas mais duras no combate ao novo coronavírus.
Nesta terça-feira (24), depois de terem sido registradas mais de 3 mil mortes no dia anterior no Brasil e às vésperas de o país superar, oficialmente, 300 mil vidas perdidas devido à Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou hoje a criação de um comitê de crise para implementar medidas de combate à pandemia.
Integrado por representantes dos poderes Legislativo e Judiciário, governos estaduais e, entre outros, por ministros de Estado, o comitê foi criado após críticas sobre a atuação do governo federal na crise sanitária. Vale lembrar ainda que a medida veio uma dia depois de o quarto ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga, tomar posse.
A troca de general Eduardo Pazuello, classificado como especialista em logística até assumir o Ministério da Saúde, a criação do comitê anti-Covid-19 e a compra de novos lotes de vacina (Pfizer e Johnson & Johnson) podem dar a impressão que o governo federal acordou, com muito atraso, para o problema da pandemia. Um problema que ainda vai custar a vida de milhares de pessoas e atrasar a recuperação da economia.
Mas essas medidas podem estar mais relacionadas à busca por um segundo mandato em 2022, ambição já assumida publicamente por Bolsonaro, do que com uma preocupação efetiva com a vida dos brasileiros. Depois de classificar a pandemia como uma “gripezinha”, desprezar a vacina chinesa (chamada de “vachina”), apostar no uso de medicamentos sem comprovação científica (kit covid e tratamento precoce) e criticar as medidas de isolamento, a criação do comitê pode ser mais uma medida para não fazer nada diferente do que vem sendo feito. A conferir.


