Nesta quinta-feira (06), as autoridades sanitárias indianas computaram um recorde de mortes, com 3.980 óbitos relacionados à Covid-19 em um dia, além de um recorde mundial de infecções diárias pelo coronavírus, com 412.262 nas últimas 24 horas.
O país respondeu por 49% dos casos e 28% das mortes registradas no mundo nas últimas 24 horas, conforme estatísticas do Our World in Data, projeto ligado à Universidade de Oxford. Em meio a seguidos recordes no número de mortes e infecções e o colapso dos hospitais, o principal assessor científico do governo da Índia alertou que o país inevitavelmente enfrentará novas ondas do coronavírus, informou a DW.
O assessor disse que mesmo quando os números diminuírem, o país deve estar pronto para uma terceira onda da pandemia. “A fase 3 é inevitável, dados os altos níveis de vírus circulando”, disse K. Vijay Raghavan durante entrevista coletiva. “Mas não está claro em que prazo essa fase 3 ocorrerá. Devemos nos preparar para novas ondas”.
Recentemente, a Índia assumiu o título de epicentro da Covid-19 no mundo e roubou, assim, o destaque do Brasil no noticiário pandêmico internacional. Logo começaram a surgir paralelos entre os líderes dos dois países, ambos populistas de direita, e sua responsabilidade na tragédia em curso.
À frente de grandes economias emergentes e de enormes discrepâncias de renda, tanto o presidente Jair Bolsonaro, como o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, foram relutantes em adotar um lockdown para frear a atual avalanche de novos casos.
No Brasil e na Índia, a pobreza e a miséria são generalizadas ao lado de uma pequena elite, extremamente rica, e de uma pequena classe média. E ambos são liderados por um governo nacionalista de direita que, em aliança com fanáticos religiosos, estão testando as instituições democráticas do Estado.
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