O governo de Jair Bolsonaro oscila entre dois pêndulos econômicos, o do ultraliberalismo e o nacionalismo estatizante. A avaliação é do sociólogo e cientista político Paulo Baía, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A opinião está num artigo publicado na revista Política Democrática Online de maio, da Fundação Astrojildo Pereira (FAP).
O ultraliberalismo se manifesta pelo ministro da Economia Paulo Guedes com a redução do auxílio emergencial, a venda de estatais, congelamento dos salários e reformas. Na outra ponta, segundo Paulo Baía, o governo “persegue o nacionalismo estatizante e corporativista, onde os lobbies buscam ter suas demandas atendidas”.
No meio do caminho existe uma luta de boxe em que uma das partes pode vencer por nocaute, “atingindo em cheio o queixo do adversário, fazendo-o beijar a lona como o principal responsável pelas mais de 400 mil mortes do país, pelo descontrole da pandemia que cria variantes do vírus”, escreve Baía.
O cientista político afirma que não há dúvida dos crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro e seu governo. Segundo o professor, houve negligência do governo na compra de vacinas ao acreditar que o Brasil seria um mercado natural pela quantidade de cidadãos, criando a falsa ideia da mão invisível que tudo regula, esquecendo que numa pandemia mundial todos desejam comprar vacinas para atender suas populações.
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