O deputado Evair de Melo (PP-ES) poderá substituir a deputada Flávia Arruda (PL) na Secretaria de Governo, pasta que é responsável pelo relacionamento político entre o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. A parlamentar está há cerca de dois meses no cargo, mas acumula adversários dentro e fora do governo pela própria natureza da função.
Questões locais do Distrito Federal também deve influir nesta substituição. Flávia é cotada para figurar como vice-governadora na chapa da reeleição de Ibaneis Rocha (MDB) ou como cabeça de chapa nas eleições de 2022. De olho no Palácio do Buriti, os críticos dizem que Flávia estaria privilegiando mais os assuntos distritais do que a própria defesa do governo Bolsonaro.
Nos últimos dias cresceram os comentários sobre a substituição no ministério, incluindo supostas divergências entre Flávia Arruda e o presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que inicialmente teria sido o seu padrinho político para a Secretaria de Governo. Flávia também caiu na escala com o presidente nacional do PP e senador Ciro Nogueira, que a esta altura seria o principal patrocinador da indicação de Evair de Melo, chamado de “cão de guarda” do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Evair pertence ao Centrão, é bolsonarista e atual vice-líder do governo na Câmara dos Deputados. No protesto que reuniu parte do agronegócio na Esplanada dos Ministérios, Evair ficou até a uma hora da manhã transmitindo pela internet a chegada dos caminhões. Bolsonaro tem agenda prevista para uma viagem ao Espírito Santo no dia 11 e, talvez, nesta data leve à tiracolo o deputado Evair como ministro.

Flávia, no entanto, não tem se mostrado uma defensora ferrenha de Bolsonaro. Pelo contrário, está calada e prefere falar mais do Distrito Federal, para onde tem um plano político delineado junto com o seu marido, o ex-governador José Roberto Arruda, figura ainda com muito poder de fogo no Distrito Federal.
No meio dessa confusão política, estão as emendas do Orçamento da União. Parlamentares tem se queixado que Flávia não tem ajudado a liberar as verbas. A Secretaria de Governo sempre foi um ministério extremamente volátil. Nos últimos anos, todos àqueles que ocuparam o cargo caíram em desgraça, desde o governo de Dilma Rousseff (PT).
O único que conseguiu sobreviver ä guerra política, foi o ex-deputado Carlos Marun (MDB-MS) no último ano do governo de Michel Temer (MDB). Manteve-se porque foi o principal membro da tropa de choque de Temer, coisa que Flávia Arruda não deve assumir esse papel no governo Bolsonaro.















