Está em rodagem uma quinta aventura de Indiana Jones. Ainda sem título, o filme tem estreia marcada para 29 de julho de 2022, 16 dias depois de Harrison Ford fazer 80 anos. Steven Spielberg será o produtor.
“Os caçadores da Arca Perdida” faz 40 anos: a consagração de Indiana Jones corresponde a um momento decisivo de transformação artística e industrial de Hollywood.
Num dos cartazes da época, Indiana Jones era anunciado como “o novo herói dos criadores de Tubarão e Star Wars”. Que é como quem diz: Spielberg e George Lucas, numa aliança que redefiniu valores e práticas de toda uma estrutura industrial.
Há quatro décadas, a pedra de toque estava na palavra “regresso“: a partir dela, definiam-se as bases criativas, os métodos de produção e os sistemas de difusão de todo um universo alicerçado numa riquíssima memória cinéfila.

Ao realizar “Os caçadores da Arca Perdida”, Steven Spielberg (na altura com 34 anos) era o primeiro a ter plena consciência dessa memória. Em 2011, no 30.º aniversário do filme, em depoimento registado pelo American Film Institute, começaria mesmo por caracterizar o filme, não a partir da sua experiência de cineasta, mas de uma militante nostalgia de espectador: tratava-se de reencontrar o espírito dos filmes que descobriu nas “matinées de sábado”, quando tinha oito ou nove anos de idade.
Para Spielberg, o desafio era também um privilégio. A saber: poder fazer um filme com o espírito de um “serial”, mas agora em ecrã gigante e Technicolor. Mais do que isso, o seu herói, Indiana Jones, interpretado por Harrison Ford, possuía uma ambiguidade com inusitadas potencialidades dramáticas e irónicas: duro e agressivo, mas também frágil e vulnerável perante as mulheres.
Para Spielberg, detentor de uma agenda cinéfila bem informada, Harrison Ford surgia como um herdeiro de Humphrey Bogart, a ponto de ter concebido alguns aspetos do par formado com Karen Allen como uma derivação saudosa de Rick e Ilsa (Bogart/Ingrid Bergman) no clássico Casablanca (1942). (Com texto do DN)





















