Novas alternativas e novas oportunidades apontam no horizonte e o ser humano precisa reinventar-se
Texto de Renato Candemil
Lá no início da década de noventa, falar em Compliance ou em práticas de Compliance significava necessariamente trazer para o seio da organização o setor jurídico. Era um mero sinônimo de adequação jurídica para o “fazer o certo” da empresa.
A evolução tecnológica no ambiente corporativo caminhou a passos nunca vistos e com a rapidez de um “raio”, impulsionado pela pandemia da Covid-19, nos trouxe novas frentes de trabalho, entre elas o home office integral, onde esse ambiente corporativo adentrou os lares de centenas de milhares de pessoas.
O mundo digital dentro da organização precisou se adaptar e a segurança das informações corporativas sigilosas trafegando nesses ambientes familiares proporcionou a criação de novas frentes de controle.
Definitivamente a governança de TI caminhou para a prática e as políticas de Compliance. O planejamento e o controle da informação digital passou a ser exercido concomitantemente com as práticas e políticas de Compliance.
Não há mais espaço para desassociar um do outro.
É nesse novo contexto que, além dos frameworks exclusivos de TI, chegam também as ferramentas para aplicação das práticas de integridade e conformidade legal no ambiente empresarial e, por consequência, no ambiente de TI, conceito consolidado nas práticas e políticas de Compliance, que por definição significa agir dentro das regras.
Fazer o certo. Simples assim!
Tenho afirmado que o mundo pós-pandemia jamais voltará a ser como antes. Muitos dos empregos e trabalhos antes necessários e importantes passarão a ser insignificantes, obsoletos e completamente ultrapassados. Novas alternativas e novas oportunidades apontam no horizonte e o ser humano precisa, por conta dessa nova onda, reinventar-se.
Cada vez mais as legislações específicas para o mundo digital estão sendo aprovadas. Como exemplo, somente nos últimos anos tivemos a aprovação da Lei sobre o Marco Civil da Internet, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, a Lei de crimes eletrônicos, a Lei de acesso à informação, a Lei de tratamento sobre a informação classificada, a Lei de comércio eletrônico, e por aí vai, em um horizonte digital cada vez mais regrado.
Portanto, o mundo digital veio para ficar e todos nós precisamos nos adaptar a essa nova realidade e, para isso, é fundamental compreender o significado e a abrangência do Compliance com suas práticas e políticas no ambiente da Organização Corporativa.
Finalizando, cito uma frase já utilizada em outro artigo meu, do renomado advogado e jurista catarinense Charles Machado, sobre o momento atual que estamos passando e que perfeitamente se enquadra para o mundo digital: “Coragem para mudar, preparo e estudo para entender para onde vamos. Podemos até não saber para onde vamos, mas temos que ter certeza de onde não queremos ficar”.
Boa reflexão!
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