A saudade é grande e a distância pesa, principalmente, nas noites de insônia
Texto de Isadora Lira
Acredito que todos que decidem construir um projeto da carreira profissional, longe da família, passam por momentos onde a grande questão é: “escolhi corretamente?”.
Felizmente, a corrida diária que inunda a mente, com obrigações e imprevistos, nos traz a falta de tempo livre para que possamos pensar naqueles que amamos. O trabalho e os estudos ocupam a maior parte das tão preciosas 24 horas. Quando nos damos conta, a mente anseia por um carinho conhecido e seguro.
A saudade é grande e a distância pesa, principalmente, nas noites de insônia. Passar por esse processo em uma pandemia mundial, multiplica toda a ansiedade e necessidade de colo, independentemente da idade, acredito.
Pegar um avião de Brasília para a capital pernambucana, foi uma decisão tomada com base no medo. Medo da realidade dos números que chegava a 82 mil mortos naquele dia. Medo de não conseguir dizer adeus.
Na balança, para a tomada de decisão, estava, de um lado, a saudade dos familiares, e , do outro, o medo da contaminação. E o que é pior, eventualmente, contaminar algum parente. Me fez lembrar o filme “A Escolha de Sofia” (1982) que rendeu a Meryl Streep o Oscar de melhor atriz, tamanha a indecisão, a pressão interna e externa e o sacrifício que me cercavam.
A viagem foi tortuosa, com muita turbulência e inquietações, garanto. Mas dizem que a estrada com dificuldades só faz o gostinho de chegar ao destino mais saboroso.
Foi a sensação que tive ao, depois de longos 15 dias em quarentena, ver e abraçar meus pais.
Hoje, posso dizer que a decisão tomada foi um belo romance e como um bom romance veio recheado de drama e até um toque de terror. O importante é que foi com happy end. Não teve Oscar, mas isso é assunto para uma outra temporada.

















