Enquanto o 7 de setembro não vem

Bolsonaro desfile menino
Bolsonaro desfila com menino no carro conversível no 7 de setembro/Arquivo/Divulgação
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Mesmo os militares estão preocupados com o quadro. A avaliação geral é a de que o presidente deseja o confronto

Texto de André César

A crescente beligerância entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o Judiciário parece ter atingido um ponto sem retorno. Ao apresentar o pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o titular do Planalto queimou as últimas pontes. Agora, resta aguardar o simbólico 7 de setembro, data esperada para um possível confronto entre governistas e oposição.

Exagero na análise? Os fatos correntes dizem que não. Prova disso está na recente mobilização de ex-presidentes da República, que conversaram com militares de alta patente para sentir o ambiente na caserna. “Nessum dorma” em Brasília.

Mesmo os militares estão preocupados com o quadro. Entre as três Armas a avaliação geral é a de que o presidente deseja o confronto. A visão é correta. Manter a base mobilizada faz parte da essência do bolsonarismo. A palavra “conflito” integra o léxico do atual grupo no poder.



Como consequência imediata, a agenda legislativa perde protagonismo e cai para o terceiro plano. As reformas tributária e administrativa, complexas por natureza, perdem tração e a esperada recuperação econômica sai do radar.

Nesse sentido, a reunião do Fórum dos Governadores ganha relevância. Mais do que discutir uma agenda para o país, os comandantes dos estados buscam soluções para a jovem e ameaçada democracia brasileira.

E o Centrão, neoaliado de Bolsonaro? Até agora, o bloco pouco fez. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, não conseguem desempenhar o papel de amortecedores da crise política. Pior, conhecendo-se o modus operandi do Centrão, não será surpresa um progressivo distanciamento de seus integrantes do presidente da República. Trata-se de questão de tempo.

Para onde caminhamos? As próximas semanas assistirão a uma escalada da crise, que atingirá seu ápice no famigerado 7 de setembro. Nada será como antes depois dessa data, para o bem ou para o mal.


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