Empresário entrou como testemunha e saiu como investigado

CPI da Covid empresário José Santana
José Santana prestou depoimento hoje na CPI da Covid do Senado/Jefferson Rudy/Agência Senado
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José Santana é suspeito de ter participado de ações para fraudar licitações de compra de testes rápidos para Covid-19

O empresário José Ricardo Santana foi ouvido pela CPI da Covid nesta quinta-feira (26), quando passou à condição de investigado. Ele é suspeito de ter participado de ações para fraudar licitações de compra de testes rápidos para Covid-19 ao Ministério da Saúde no valor de R$ 1 bilhão.

Ele também é suspeito de envolvimento em episódios de tentativas de venda de vacina ao órgão — 20 milhões de doses da Covaxin, pela Precisa Medicamentos, e 400 milhões de doses de AstraZeneca, pela Davati.

O Misto Brasília transmitiu ao vivo a sessão da CPI da Covid – confira na homepage do site

Munido de habeas corpus, Santana, que teve a quebra de seus sigilos aprovada na comissão, abriu mão de sua apresentação inicial e negou-se a prestar o compromisso de dizer a verdade. Ex-secretário-executivo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão interministerial cuja secretaria-executiva cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ele deixou o cargo em março de 2020.



O depoente disse que na sequência foi convidado por Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, para integrar a pasta, onde trabalhou por curto período, sem salário. Para Santana, sua nomeação não foi efetivada pela “rotatividade de ministros”, mas a CPI obteve mensagem em que o empresário diz, em 10 de junho, que “lhe foi exigido sair do ministério”.

Santana acompanhou Dias no restaurante Vasto, em Brasília, no dia 25 de fevereiro, quando, segundo o representante da Davati, Luiz Paulo Dominguetti, o ex-diretor do MS pediu US$ 1 de propina sobre cada dose a ser comercializada.

Sobre a reunião, Santana disse que estava em um encontro social, quando chegaram ao restaurante Dominguetti e o coronel Marcelo Blanco, ex-diretor-substituto de Logística do ministério. Ele disse não se lembrar dos pontos tratados e que não presenciou nenhum pedido de vantagem indevida.

“Nessa reunião, em que foram oferecer 400 milhões de doses de vacina AstraZeneca, ele (Santana) já estava lá. Ele sai da Anvisa e o Roberto Dias diz: “vem para cá que, mesmo sem salário, é mais negócio aqui”, afirmou o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). A opinião foi ratificada pelo senador governista Jorginho Mello (PL-SC).



“Nunca vi alguém sair de um emprego como o da Anvisa para ir trabalhar de graça no governo. Se instalou uma quadrilha para saquear o Estado brasileiro. Isso é uma afronta. Ainda bem que não conseguiram”.

Apontado pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL) como intermediador da Precisa Medicamentos, o depoente negou ter sido contratado por ela, mas disse conhecer o proprietário da empresa, Francisco Maximiano, e o diretor Danilo Trento. Veja um vídeo logo abaixo.

Renan acusou o depoente de ter trabalhado para favorecer a Precisa Medicamentos em contrato de mais de R$ 1 bilhão na comercialização de testes para covid-19.

“Eles até organizaram um passo a passo de como Roberto Dias iria favorecer a Precisa em venda de testes — expôs o relator, que também apontou ilicitudes nos casos de venda de testes no Mato Grosso e no Distrito Federal, onde foi deflagrada a Operação Falso Negativo (que apontou irregularidades nos contratos feitos com a Precisa).




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