Quase 30% da produção de ouro no Brasil vem da exploração ilegal

Ouro bruto Brasil
Quase um terço do outro produzido no Brasil vinha de áreas ilegais/Arquivo/Newgreenfil
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Segundo os pesquisadores, nos anos de 2019 e 2020, 174 toneladas de ouro foram negociadas

As ilegalidades na produção brasileira não se limitam ao cultivo de soja em regiões desmatadas ilegalmente ou à pecuária em áreas de proteção ambiental, mas afetam também a mineração. Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que pelo menos 28% do ouro produzido no Brasil em apenas dois anos, e vendido com certificado da Agência Nacional de Mineração (ANM), tem evidências de ilegalidade.

Como base para a análise, foram usadas as 17.500 transações de venda de ouro realizadas em 2019 e 2020, registradas na Agência Nacional de Mineração, totalizando 174 toneladas de ouro.

Na Amazônia, as evidências são ainda mais graves, chegando a 90% da produção aurífera, afirma Raoni Rajão, que liderou o estudo intitulado “Legalidade da produção de ouro no Brasil”, uma parceria com o Ministério Público Federal (MPF).



Segundo os pesquisadores, nos anos de 2019 e 2020, 174 toneladas de ouro foram negociadas. Desse total, 38% vieram de origem desconhecida, 28% foram identificadas como irregulares (ilegais ou potencialmente ilegais), e 34% aparentemente tiveram origem legal.

O estudo evidencia a falta de fiscalização e controle da cadeia de produção aurífera no Brasil, e vincula desmatamento e violações de Terras Indígenas (TIs) à produção ilegal de ouro.

Segundo a pesquisa, 21 mil hectares de Floresta Amazônica foram desmatados para mineração entre 2019 e 2020, sendo a grande maioria no estado do Pará. Desses 21 mil desmatados, ao menos 5 mil hectares ocorreram em terras indígenas homologadas, ameaçando assim os povos originários que vivem na Amazônia, como os Kayapó, Yanomami e Munduruku.



Todas essas categorias apontadas como irregulares compõem 28% da produção aurífera total no Brasil, o que corresponde a 48,9 toneladas de ouro. “Mas a prevalência de ilegalidade pode ser até bem maior”, alerta Rajão. Olhando apenas para a Amazônia, o quadro é ainda mais grave. “Do ouro produzido na Amazônia, 90% tem evidência de irregularidade”, afirma o pesquisador, em entrevista à DW Brasil.

Com base no estudo, o Ministério Público Federal entrou, em julho deste ano, com uma ação civil pública contra a Agência Nacional de Mineração e o Banco Central do Brasil, que são as agências responsáveis pela fiscalização.


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