Há questões como a agenda econômica, as reformas no Congresso e a imagem do Brasil no exterior
Manifestações contra e a favor do governo do presidente Jair Bolsonaro tomaram conta do país neste feriado de 7 de setembro. Em discursos em Brasília e São Paulo, Bolsonaro fez ameaças contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e atacou o ministro Alexandre de Moraes.
Dos três senadores do Distrito Federal, apenas a senadora Leila Barros (Cidadania-DF) fez comentários sobre o 7 de setembro no Twitter. “Não bastassem as diversas crises simultâneas que atormentam a população, o Brasil atravessa uma crise político-institucional que se agravou neste 7 de Setembro”.
Para a senadora, o mundo “nos olha com temor de que ocorra por aqui um retrocesso democrático. O Brasil não pode continuar refém dessa situação absurda, insensata e surreal”.
Os ministros do Supremo Tribunal Federal se reuniram hoje para discutir uma resposta às declarações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro durante os atos de 7 de Setembro. Dos 10 integrantes da Corte, só Dias Toffoli não participou. Os magistrados não fecharam o conteúdo do texto. O material ainda está sendo produzido, segundo o Poder360.
O presidente assinou uma medida provisória que dificulta a remoção de vídeos que propagam mentiras nas redes sociais, algo que beneficia diretamente sua base de eleitores radicais que justificam o ataque à corte —e até ameaças de morte— como “liberdade de expressão”. Na prática, ele alterou o Marco Civil da Internet, uma legislação que foi debatida por anos no Congresso Nacional e é considerada uma das mais completas legislações do setor no mundo.
Entre advogados, há a sensação de que o presidente infringiu uma das principais regras para que sejam editadas medidas provisórias, a da urgência e relevância. “O que ele consegue com essa MP é criar mais tensão entre os poderes, se a MP for devolvida pelo Senado ou suspensa pelo STF, e continuar governando pela mentira”, diz a advogada e coordenadora Jurídica da Rede Liberdade, Juliana Vieira dos Santos.
As mensagens em outras línguas nas manifestações mostram a preocupação que os organizadores do protesto têm com relação à imagem do país —e do presidente— lá fora, em meio à crescente apreensão global com a deterioração da democracia brasileira. “Um gringo que se informa pela mídia brasileira não tem acesso à verdade dos fatos”, afirmou Henrique Ferreira Deltoni, 38, que levava um pequeno cartaz onde se lia “STF Yes, Luiz Fux No” (STF sim, Luiz Fux [presidente do Supremo] não). Havia até um alerta: “the international midia lies” (a imprensa internacional mente), registra o El País.
Quais devem os impactos das manifestações e dos discursos de Bolsonaro para a agenda política do país? Como ficam ficam as perspectivas para a economia e as reformas? E como os investidores devem reagir a isso? O que esperar dos mercados nesta quarta-feira?
Esses pontos foram abordados por Roberto Attuch, fundador e CEO da OHM Research, e os cientistas políticos Carlos Melo e Rafael Cortez em entrevista no canal do InfoMoney no YouTube.


