O presidente da República pode ter efetivamente ingressado numa zona de risco
Texto de André César
Todo chefe do Executivo, seja presidente da República, governador ou prefeito, precisa atingir um mínimo de avaliação positiva de sua gestão caso deseje disputar a reeleição em condições competitivas. Para muitos, a linha de corte seriam os 20% de aprovação de uma gestão. Abaixo disso, o risco de derrota seria elevado.
Pois bem, prestes a se filiar ao PL, o presidente Jair Bolsonaro pode ter efetivamente ingressado nessa zona de risco. Pesquisa da consultoria Atlas/Intel, realizada entre os dias 23 e 26 de novembro e divulgada na segunda-feira, 29, pelo jornal Valor Econômico, mostra a avaliação positiva (ótimo/bom) do governo em 19%, contra 60% de avaliação negativa (ruim/péssimo). No último levantamento, de setembro, esses índices eram, respectivamente, 24% e 61%.
A pesquisa avalia ainda o desempenho do titular do Planalto. A desaprovação é de 65%, contra 29% de aprovação – 64% e 32% em setembro, respectivamente. A trajetória descendente do presidente junto à opinião nesse final de ano é uma realidade. Essa trajetória, diga-se, teve início em maio último.
As preocupações da população também são elencadas no levantamento. A “corrupção” lidera o ranking, com 21% das citações, seguida de “pobreza e desigualdade”, com 19%, e “inflação/preços em alta”, com 17%. Interessante notar que a pandemia não é citada diretamente pelos entrevistados – o “acesso à saúde” recebeu 5% das menções, número muito baixo dada a realidade da crise sanitária.
Para piorar, Bolsonaro tem uma série de obstáculos a curto e médio prazos que poderão pressionar ainda mais sua administração. As perspectivas para a economia em 2022, ano eleitoral, são sombrias, com possibilidade inclusive de retração do PIB e desemprego e inflação em alta; um potencial agravamento da pandemia, com a entrada em cena da variante ômicron do coronavírus; e o acirramento da disputa sucessória, em especial com a presença do ex-ministro Sérgio Moro (Podemos) competindo na mesma faixa ideológico-programática do atual presidente. Jogo bruto.
Bolsonaro, então, está definitivamente fora da disputa? Longe disso. O governo tem recursos políticos para reverter o quadro, e o Planalto aposta suas fichas hoje no programa Auxílio Brasil, o Bolsa Família “vitaminado”. O próprio ingresso de Bolsonaro em um partido relevante como o PL recompõe parte da força política presidencial, sem sombra de dúvida.
A popularidade do titular do Planalto está moribunda, mas uma recuperação, mesmo que por ora improvável, não pode ser descartada. “A partida acaba quando termina”, lembremos.


