PEC dos combustíveis mostra o avanço do Centrão sobre as questões econômicas do país
Texto de André César
A Proposta de Emenda Constitucional apresentada há poucos dias pelo deputado Cristino Áureo (PP-RJ) é um claro exemplo do populismo em curso na gestão de Jair Bolsonaro (PL), que só pensa “naquilo” – a reeleição. A proposta divide o governo e mostra o avanço do Centrão sobre as questões econômicas do país, diminuindo ainda mais o poder do ministro da Economia, Paulo Guedes, o ex-Posto Ipiranga.
Em um rápido resumo, a PEC ora em discussão propõe a diminuição dos impostos sobre os combustíveis, ou até mesmo zerá-los, em 2022 e 2023, como forma de conter a alta nos preços. Populismo clássico.
O projeto foi estruturado com o apoio do Centrão e a participação ativa do Palácio do Planalto, mais especificamente do ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, figura central do megabloco que hoje apoia Bolsonaro.
O ministro Guedes ainda trabalha contra a ideia, mas com pouco poder de fogo. Ou, pelo menos, no sentido de a PEC reduzir os impostos somente sobre o óleo diesel e o biodiesel, preservando dos cortes a gasolina. Enquanto isso, a Casa Civil busca os votos para fazer a PEC tramitar no Congresso Nacional – algo que deve conseguir sem maiores dificuldades.
Em ano eleitoral, as máscaras inevitavelmente caem. Mais interessante é que o ex-Posto Ipiranga insista na tese de que “faltou apoio” para a agenda liberal, mas ainda há tempo para se retomar as propostas da campanha de 2018. Como diz um grande jornal que se autointitula “liberal”, o ministro tornou-se uma espécie de Dom Quixote do governo.
A PEC dos Combustíveis confirma o avanço do Centrão sobre o debate econômico e o consequente enfraquecimento das posições de Guedes. O processo vai na esteira de outras derrotas recentes do ministro, como a demissão de importantes colaboradores e a perda de parte do poder decisório nas questões envolvendo o Orçamento – essa última, outra vitória do Centrão, que deverá manter sua hegemonia nos próximos anos, independentemente do nome do presidente que assumir em 2023.




















