O sistema eletrônico de vigilância alertou quando um agente lotado no gabinete passava por uma das portarias
Por Misto Brasília – DF
A Câmara dos Deputados deverá criar uma rotina permanente para que todos os visitantes, servidores e até mesmo os parlamentares passem pelos detectores de metal.
O dispositivo eletrônico tem como principal função verificar a entrada de metais e, especialmente, armas brancas e de foco.
A norma deve ser implantada obrigatoriamente nos próximos dias e vem sendo testada desde a segunda-feira (09), um dia após a invasão do Congresso Nacional por manifestantes radicais.
A exigência da revista eletrônica se mostrou ontem (18) mais uma vez eficaz e necessária. Um servidor lotado num dos 513 gabinetes tentou entrar armado na Câmara. O sistema alertou a segurança que confirmou que o funcionário estava armado.
De acordo com as primeiras informações, o servidor é policial civil à disposição de um gabinete parlamentar. Não foram informados o nome do funcionário barrado e a lotação do agente, que presta serviços ao Parlamento.
A preocupação se torna maior com a proximidade da posse dos novos parlamentares, no dia primeiro de fevereiro. No mesmo dia, serão eleitas as Mesas Diretoras do Senado Federal e da Câmara.
No Congresso Nacional, há uma norma que proibe o uso de arma extensiva aos parlamentares. Só podem andar armados dentro do prédio os policiais legislativos em serviço ou pessoas autorizadas em horários específicos, como os seguranças privados que alimentam com dinheiro em espécie os caixas eletrônicos.
A proibição do uso de arma começou a ser norma depois que dois casos emblemáticos, com tiros, foram registrados no Congresso Nacional em 196 anos de existência. Os atritos entre deputados e senadores têm sido comuns, incluindo socos e pontapés.
História registra tiros e morte dentro do Congresso
Em 8 de junho de 1967, os deputados Nelson Carneiro e Estácio Souto Maior, pai do ex-piloto Nelson Piquet, sacaram suas armas e trocaram tiros na Câmara dos Deputados.
A História registra que Souto Maior deu um tapa em Nelson, que revidou mais tarde, em frente à agência do Banco do Brasil, no salão inferior da Câmara. Com um revólver calibre 38, Nelson Carneiro baleou Estácio Souto Maior, que mesmo atingido pelo tiro, conseguiu revidar o disparo.
Em dezembro de 1963, o senador Arnon de Mello, pai do atual senador e ex-presidente Fernando Collor, atirou contra o também senador Silvestre Péricles, registra o portal Brasil Empresarial.
Apesar dos seus 67 anos na época, Silvestre Péricles deitou-se no chão e desviou dos disparos. Um dos tiros acertou o abdome do senador José Kairala, que morreu horas depois no então Hospital Distrital de Brasília (atual Hospital de Base). Ele morreu no mesmo dia que assumia o mandato como suplente e na frente de familiares.
Tudo teve início devido a uma rixa regional. Collor e Péricles eram alagoanos. Péricles Silvestre, que era militar, andava armado e jurou Arnon de Mello de morte.
O pai de Fernando Collor reagiu às ameaças, e durante um discurso no Senado, atirou contra Péricles Silvestre.




















