Até o momento, são mais de 11 mil vítimas, além de milhares de desaparecidos na cidade de Derna, na Líbia
Por Misto Brasília – DF
Através de sua história, a cidade costeira de Derna, na Líbia, foi tanto venerada quanto temida. Fundada no fim do século 15, onde havia uma antiga colônia grega, era um conhecido centro de intelectualidade, pensamento independente, cosmopolitismo, arte e cultura.
Com 100 mil habitantes, também era conhecida por sua localização atraente na costa do Mediterrâneo, ladeada por algumas das poucas florestas existentes no país árido.
Em 2011, durante a assim chamada Primavera Árabe, a população de Derna e a da cidade costeira de Benghazi, 350 quilômetros a oeste, estiveram entre as primeiras a protestar contra a ditadura no país, que já durava 42 anos.
A destruição na Líbia ???????? A estimativa é de que 20 mil pessoas morreram em Derna, a cidade mais atingida pelas enchentes catastróficas, segundo o prefeito
Duas barragens romperam após a passagem da tempestade Daniel, liberando um tsunami de água enquanto as pessoas dormiam:… pic.twitter.com/HKTZtynvN2
— BBC News Brasil (@bbcbrasil) September 14, 2023
Após as recentes enchentes catastróficas, especialistas afirmam que a reputação histórica da cidade portuária e sua localização privilegiada foram fatores que contribuíram decisivamente para um número ainda maior de mortes causadas pela tempestade Daniel. Até o momento, são mais de 11 mil vítimas, além de milhares de desaparecidos.
A localização da cidade também foi um fator na devastação gerada pelas enchentes. Permeada por igrejas e mesquitas antigas, famosa por sua agricultura e delimitada por praias, Derna é construída sobre o que se chama de leque aluvial – onde a terra se forma no sopé de montanhas por sedimentos de rios e córregos que deságuam no mar. A cidade é dividia em dois por um rio que permanece seco durante a maior parte do ano.
Esse tipo de geografia é propenso a enchentes, como as que Derna enfrentou várias vezes nas últimas décadas. Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, um dilúvio varreu tanques e soldados alemães estacionados nos arredores da cidade. Outras grandes enchentes ocorreram nos anos de 1956, 1959, 1968 e 1986. A de 1959 era a mais grave, até ser superada em 2023, informou a Agência DW.















