O “botão mudo” permitirá ao porta-voz da Presidência silenciar jornalistas ou “arrancar o microfone das mãos”
Por Misto Brasil – DF
Um “botão de mudo” e um “Big Brother jornalístico”. A relação entre o presidente Javier Milei e a imprensa não é boa, relata o jornal espanhol El Pais.
O governo argentino detalhou na quarta-feira seus planos para controlar as coletivas de imprensa realizadas periodicamente na Casa Rosada. Manuel Adorni, porta-voz do presidente Javier Milei, disse que a intenção é alcançar a liberdade de expressão “em todo o seu esplendor”.
O “botão mudo” permitirá ao porta-voz silenciar jornalistas que excederem o tempo limite para suas perguntas ou “arrancar o microfone das mãos” da equipe de imprensa executiva.
A outra coisa, disse ele, é “um esquema onde as pessoas escolhem quem está e quem não está [nas coletivas de imprensa], como um Big Brother jornalístico”, disse Adorni.
A resolução, que será publicada “nos próximos dias”, incluirá um código de vestimenta (terno e gravata para homens) e exigirá que os credenciados tenham um contrato permanente com seus empregadores.
O presidente não hesita em chamar os jornalistas que o criticam de “mentirosos”, “profetas”, “imbecis”, “corruptos” ou “de bolsonaro”, ou seja, aqueles pagos por algum poder no poder para minar o governo.
Basta que ele não goste de um comentário para que ele ataque furiosamente o responsável em suas redes sociais.
A última vítima foi Carlos Pagni, um dos analistas mais respeitados da Argentina e colunista do El país, por seus alertas sobre a força artificial do peso, algo que vem sendo apontado por cada vez mais economistas, mesmo aqueles próximos ao governo.
“Sinceramente, estou extremamente enojado com todos esses jornalistas que são operadores […]. Aos jornalistas fantoches e seus marionetistas, digo que devem trabalhar para serem eficientes e ajustar o estoque de capital, enquanto no Governo nos encarregaremos de continuar reduzindo impostos que permitam salários ainda maiores”, escreveu Milei em suas redes sociais.
Um dos últimos ataques de Milei foi contra o grupo de comunicação Clarin.
“Boa parte dos funcionários do Grupo Clarín parecem particularmente enfurecidos”.
“Eles continuam a assediar o Governo com mentiras simplesmente porque dissemos que iríamos defender os argentinos do abuso da posição dominante que o Grupo quer ter no mundo das telecomunicações”.




















