Em um mundo convulsionado pelos diferentes extremismos, um novo Papa cairia muito bem. Mas, qual o perfil necessário?
Por Marcelo Rech – DF
Nas próximas semanas, 238 cardeais se reunirão em Roma para eleger o 267º Papa, o líder de uma Igreja Católica contestada, mas ainda relevante com cerca de 1.4 bilhão de crentes em todo o mundo.
A morte de Francisco força a realização de um dos eventos mais relevantes para a atualidade geopolítica. E reforça a necessidade de se eleger um Papa político.
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Ao mesmo tempo em que as bolsas de apostas esquentam, o mundo para. Mesmo que por alguns poucos minutos, para refletir a perda do Pontífice e imaginar o perfil da nova liderança.
O Papa é, também, Chefe de Estado e o Vaticano é dono de uma diplomacia robusta, além de um Serviço de Inteligência comprovadamente eficaz. Estes dois elementos exercerão papel fundamental na organização do Conclave, no seu desenvolvimento e conclusão, com a eleição do novo Papa, e no papado que está por vir.
Em um mundo convulsionado pelos diferentes extremismos, um novo Papa cairia muito bem. Mas, qual o perfil necessário para que o próximo Pontífice desponte como uma liderança capaz de construir consensos, fortalecer o diálogo e facilitar o entendimento em meio à complexidade do momento? A quem interessa um Papa capaz de unificar a Igreja em torno da Fé católica?
João Paulo II certamente não foi o único, mas foi de longe, um dos mais destacados líderes políticos que a Igreja Católica ofereceu ao mundo.
Hábil e sutil, ele foi fundamental no combate ao comunismo, que levou à dissolução da União Soviética e pôs fim à Cortina de Ferro. Em meio à Guerra Fria, João Paulo II conseguiu o respeito dos inimigos e a admiração dos adversários.
A Igreja Católica ainda é uma força brutal, mas a cada dia que passa, perde seguidores. O mundo muda à uma velocidade atroz e a instituição não consegue ou não quer acompanhar essas mudanças.
Francisco surgiu como um alento para as transformações necessárias, mas aos poucos, sua forte identidade ideológica de esquerda e seus gestos simpáticos com ditadores, o distanciou da gente comum, das vítimas dos totalitários abraçados por ele.
Ser político não é o problema. O problema é inclinar-se para um dos lados quando o sentido da liderança deve ser o bem, principalmente dos desvalidos. É quando princípios são escanteados em favor de ideologias.
Como Chefe de Estado, o Papa deve ser uma liderança política, um estadista, mas para isso, terá de aplacar as resistências internas, ser intolerante com violações graves e escândalos sexuais e reformar a administração financeira de uma das instituições mais ricas do planeta. A Igreja precisa ser modelo.
Francisco despediu-se na madrugada de Domingo de Páscoa, na data sagrada da Ressurreição do Cristo, momento ímpar para os cristãos. Da morte do Pontífice, pode ressurgir uma nova Igreja em todos os sentidos.


