No lançamento do Plano Safra para os médios e grandes produtores, os petistas deixaram Lula da Silva e Carlos Fávaro falando sozinhos
Por Gilmar Corrêa – DF
Lula da Silva tem reclamado da comunicação. O presidente tem insistentemente dito que o governo tem uma deficiência na interlocução popular, porque não consegue levar para o eleitorado os “benefícios” que a administração federal tem feito.
O presidente talvez tenha alguma ponta de razão nessa crítica, mas além de não contar com uma base no Congresso Nacional, os próprios petistas têm contribuído para a desinformação.
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No Plano Safra 2025/26 para o médio e grande produtor rural – lançado nesta terça-feira (01) -, os deputados do PT abandonaram o presidente em pleno Palácio do Planalto.
Na solenidade realizada depois do meio dia, nenhum parlamentar da sigla do presidente esteve presente. Nem mesmo a ministra de Relações Exteriores, a deputada licenciada Gleisi Hoffmann.
A ausência do PT numa solenidade patrocinada pelo próprio Planalto, reforça a tese de que o partido quer distância do agronegócio. Depois, reclamam que a atividade está contra o governo Lula da Silva, e deixam o setor com um discurso único.
Situação muito diferente foi identificada no lançamento do Plano Safra 2025/2026 – voltado para a agricultura familiar. No ato da segunda-feira (30/06), os petistas estiveram presentes em grande número, diferente do que se viu hoje.
No plenário da Câmara e do Senado, nesta terça-feira, o silêncio geral em torno de dois planos fundamentais para o desenvolvimento do País. Deixaram Lula da Silva e o ministro Carlos Fávaro, do PSD, falando sozinhos.
O que diz o Plano Safra divulgado hoje
O Plano Safra 2025/26 para a agricultura empresarial teve um aumento nos juros de 1,5 a 2 pontos percentuais em relação ao programa do ciclo anterior, disse o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, durante apresentação dos dados nesta terça-feira.
Ele destacou que a alta nos juros foi menor do que a elevação da taxa básica Selic no período, algo que desafiou o governo na elaboração do programa, informou a Reuters.
“Nós tínhamos uma Selic de 10,5% ao ano, hoje ela está em 15%, portanto 4,5 pontos percentuais a mais do que no momento do lançamento do Plano Safra passado. E ainda assim, com todas essas dificuldades, o aumento das taxas de juros foi da ordem de 1,5% a 2%”, disse.
Fávaro, segundo o InfoMoney, destacou que o governo “absorveu o aumento da Selic com equalização” dos juros, utilizando recursos do Tesouro.
Mais cedo, o Ministério da Agricultura informou que o Plano Safra 2025/26 terá R$516,2 bilhões destinados a financiamentos da agricultura empresarial brasileira, alta de 1,5% ante o ciclo anterior.
No plano anterior, considerando recursos de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), para emissões de Cédulas do Produto Rural (CPR), o total havia somado R$508,59 bilhões.
Para Fávaro, as ações governamentais colaboraram para que o Plano de Safra seja “recorde” e continue sendo “estimulante” aos produtores.


