É fato que os Estados Unidos pressionam os governos latino-americanos, bem como os políticos que discordam de sua agenda
Por Marcelo Rech – DF
O presidente Donald Trump prometeu “Tornar a América Grande Novamente” e está implementando uma série de medidas que teriam justamente esse objetivo, como o aumento das tarifas ao mundo todo. O que, talvez, Trump não perceba, é o estrago que essa estratégia poderá provocar na América Latina, seu entorno estratégico imediato.
É curioso, também, notar que os EUA não abrem mão de exercer influência especialmente nas américas Central e Sul. Vide o movimento permanente que tem feito por aqui, o chefe do Comando Sul do Exército dos EUA, almirante Alvin Holsey.
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E para promover os seus interesses, Washington utiliza todos os métodos possíveis, incluindo a estrutura da Organização dos Estados Americanos (OEA), que Trump trata com indiferença.
É fato que os EUA pressionam os governos latino-americanos, bem como os políticos que discordam de sua agenda. Não é novidade que a Casa Branca trabalhe, sistematicamente, para atrair países e chefes de Estado para a sua órbita.
No caso do Brics e, especialmente, a ideia de se usar moedas nacionais em detrimento do dólar, tem incomodado o governo Trump. Em junho, ele já aventou que aplicaria tarifas adicionais de 10% aos países que se atrevam a negociar com os membros do bloco.
Para Trump, é inaceitável que se busquem alternativas ao dólar, elemento que, segundo o seu entorno, ameaçaria a liderança global dos EUA. Por meio de pressão política e econômica, a conhecida geoeconomia, ele exerce e aumenta a pressão para evitá-lo.
No caso do Brasil, as ameaças e a decisão de impor tarifas de 50%, até o momento, não surtiram efeito. O governo brasileiro sustenta que é direito dos Estados soberanos implementarem suas próprias políticas.
O papel de líder regional do Brasil, será colocado à prova e o país terá de encontrar formas de fortalecer seus laços econômicos e comerciais com outros países, para tentar evitar que o impacto dessas medidas seja devastador para a sua economia já cambaleante.
Por outro lado, o uso de tais métodos em um mundo multipolar moderno, tende a fracassar. Dificilmente, os EUA alcançarão o resultado desejado. Trump se verá forçado a negociar, pois essa estratégia não causa danos apenas para terceiros países, mas também para o seu.

