A Liga dos Estados Árabes com o respaldo da União Europeia e outros 17 países, firmaram uma declaração na Conferência das Nações Unidas
Por Marcelo Rech – DF
No dia 30 de julho, os países árabes finalmente se posicionaram em relação ao conflito entre o Hamas e Israel, que perdura desde 7 de outubro de 2023. Em um movimento ousado e inédito, os árabes exigiram o desarmamento da organização terrorista e a entrega do poder em Gaza para o Governo Autônomo Palestino.
Além disso, reforçaram o apoio à Solução de Dois Estados, algo que muda completamente o cenário regional e enfraquece de vez países como o Irã, cujo governo xiita, não apenas financia o terrorismo contra Israel como sabota qualquer iniciativa de paz no Oriente Médio.
A Liga dos Estados Árabes, integrada por 22 países, com o respaldo da União Europeia e outros 17 países, firmaram uma declaração na Conferência das Nações Unidas copatrocinada por Arábia Saudita e França.
O evento, realizado em Nova York, teve como objetivo central “abordar a solução pacífica da questão Palestina e a implementação da Solução de Dois Estados”.
O resultado não deixa de ser uma derrota implícita também para Israel que, na gestão de Benjamin Netanyahu, não aceita essa solução e segue firme em sua ofensiva para dizimar por completo o Hamas, ainda que a um preço altíssimo de vidas civis inocentes no enclave.
De qualquer forma, o resultado do encontro deverá reverberar e aumentar a pressão tanto sobre Netanyahu como sobre a organização terrorista. O Hamas tem perdido cada vez mais apoio, inclusive por controlar a entrega de ajuda humanitária e revendê-la em Gaza a preços exorbitantes.
Trata-se de uma estratégia antiga, mas com uma nova roupagem, pois o grupo perdeu grande parte do seu financiamento que vinha de Teerã.
Além disso, os próprios palestinos de Gaza estão cansados da guerra. Ou são usados como escudos humanos pelos terroristas covardes, ou massacrados por ataques nada cirúrgicos de Israel.
A conferência de Nova York reascende a esperança de que o conflito possa ser encerrado de forma duradoura, abandonando-se o calendário cíclico que, volta e meia, desata mais violência.
No entanto, será necessário que a declaração passe da retórica para a prática. Os países árabes defendem o reconhecimento do Estado de Israel em paralelo com a criação definitiva de um Estado Palestino. Não é pouca coisa e Israel terá de se posicionar.
Não há como se pensar numa paz duradoura sem que haja um Estado Palestino. E não há forma de dar vida a este Estado enquanto o Hamas der as cartas em Gaza.


