Os Estados Unidos não escondem o desejo de acessar e ter controle sobre as principais reservas minerais do planeta
Por Marcelo Rech – DF
Nas últimas semanas, a Casa Branca voltou a mirar na América Latina aumentando o cerco contra a Venezuela e o seu regime chavista. Além de aumentar o preço pago pela cabeça de Nicolás Maduro, Washington apertou ainda mais as sanções contra o regime bolivariano e deslocou uma impressionante frota para a costa daquele país.
Embora não tenha conseguido resolver os principais conflitos em curso, como as guerras entre Rússia e Ucrânia e entre Israel e o Hamas, Donald Trump arrumou tempo para ocupar-se com o que os EUA consideram o seu quintal. Mas, não é exatamente a democracia que cobra a diligência norte-americana.
Os EUA não escondem o desejo de acessar e ter controle sobre as principais reservas minerais do planeta. A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo e, ao seu lado, está a Guiana, país até pouco tempo marginalizado num rincão distante da América do Sul.
Mas a história começa a ser reescrita com uma Guiana rica e próspera graças justamente ao petróleo. Ex-colônia britânica, a Guiana já dá sinais claros de que o petróleo pode transformar sua realidade econômica e social. Claro, a Venezuela também está atrás desse potencial arrebatando a região do Essequibo, em litígio desde de 1899.
Obviamente, Maduro usa a reconquista de um território que os venezuelanos reivindicam como seu, como cortina de fumaça para distrair a população da grave crise que assola a Venezuela há anos. Tomá-la de volta é algo praticamente impossível. Londres não permitirá e, agora, Washington, tampouco.
Paralelamente ao cerco contra Maduro e o seu regime, associado ao cartel de drogas mexicano Soles, está o desejo dos EUA de empreender um combate mais efetivo e certeiro contra o narcotráfico na América Latina, o que não seria de todo mal considerando que esses cartéis estão enraizados na estrutura dos Estados, infiltrados nos seus governos e nas suas instituições públicas e privadas. E os cartéis têm diversificado seus negócios a cada dia.
A Guiana, por sua vez, deu as boas-vindas à parceria com os EUA e o presidente Irfaan Ali sabe que essa cooperação protege o seu país das investidas tresloucadas de Maduro e do crime organizado. Em bom português, a Guiana tem hoje, o apoio e a defesa da OTAN.
Neste momento, o petróleo da Guiana é explorado principalmente por um consórcio internacional liderado pelas norte-americanas ExxonMobil e Hess e a empresa chinesa CNOOC, no bloco offshore de Stabroek. Este consórcio descobriu grandes reservas em 2015 e vem realizando operações de perfuração e extração desde então. Logo, a China também desestimará Maduro de qualquer aventura.
O Reino Unido também mantém forte influência e interesse na sua ex-colônia e qualquer ameaça de Maduro, terá uma resposta de Londres. Não se pode ignorar que a Guiana conquistou sua independência do Reino Unido em 1966, mas segue como país-membro da Commonwealth.


