TV 3.0 chega antes da Copa de 2026. Veja como será

Lançamento da TV 3.0 Palácio do Planalto Misto Brasil
Solenidade de apresentação do decreto que cria a TV 3.0/Lula Marques/Agência Brasil
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Os novos aparelhos da TV 3.0 deverão vir de fábrica com a primeira tela apresentando um catálogo de canais de televisão abertos

Por Pedro Peduzzi e Andreia Verdélio – DF

O presidente Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (27), em cerimônia no Palácio do Planalto, o decreto de implementação da TV 3.0, considerada a nova geração da tecnologia de televisão aberta e gratuita brasileira.

Em breve discurso, o presidente disse que esta é uma demanda importante de sua equipe de comunicação. Veja o infográfrico e os detalhes do sistema logo abaixo

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, afirmou que a TV 3.0 é também uma questão de soberania nacional – o Brasil será o primeiro país das Américas a implantar a nova tecnologia.

A expectativa do governo, segundo ele, é de que a TV 3.0 entre no ar em junho de 2026, a tempo da próxima Copa do Mundo.

Os representantes de associações e entidades que representam o setor, destacaram em seus discursos que o atual modelo em vigor, o da TV Digital, também foi implantado pelo presidente Lula, no seu segundo governo.

Os novos aparelhos da TV 3.0 deverão vir de fábrica com a primeira tela apresentando um catálogo de canais de televisão abertos, o que não vem ocorrendo na interface atual das SmartTVs.

Esse modelos que se conectam com a internet dão prioridade aos aplicativos de serviços de mídia sob demanda (OTT, na sigla em inglês). Com isso, os canais abertos acabam sem visibilidade, como destacou o ministro.

Uma das principais inovações da TV 3.0 é justamente sua interface baseada em aplicativos, em que as emissoras terão condições técnicas de passar a oferecer, além do sinal aberto já transmitido em tempo real, conteúdos adicionais sob demanda, como séries, jogos, programas e outras possibilidades.

A migração deverá ser gradativa, começando pelas grandes cidades, como foi com a TV digital.

Conheça a nova tecnologia

O decreto estabelece a adoção da tecnologia de transmissão do sistema ATSC 3.0, conforme recomendação do Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTVD).

O Fórum foi criado para assessorar tecnicamente o governo brasileiro na implantação do serviço de TV digital no país. Trata-se de uma entidade sem fins lucrativos que reúne representantes dos setores de radiodifusão, universidades, centros de pesquisa e desenvolvimento, além de fabricantes de televisores, transmissores e softwares.

Entre dezembro de 2023 e maio de 2024, o Fórum conduziu testes de campo para avaliar as tecnologias. Após uma análise minuciosa, que considerou todos os dados coletados desde o início do projeto, em 2020, os Módulos Técnico, de Mercado e de Propriedade Intelectual da entidade, em conjunto com o conselho deliberativo, decidiram, por unanimidade, recomendar a tecnologia ATSC 3.0.

A recomendação foi acatada pelo Ministério das Comunicações e encaminhada à Casa Civil da Presidência da República.

O ATSC 3.0 corresponde a um conjunto de padrões que especifica um dos sistemas de transmissão digital mais avançados do mundo. Trata-se de um sistema completo, que engloba a camada física, transporte, áudio, vídeo, legendas, interatividade, mensagens de emergência, segurança e datacasting, entregando serviços de televisão e dados para receptores fixos e móveis.

O sistema é extensível, permitindo que as emissoras acompanhem as demandas do mercado e as evoluções tecnológicas. Caberá à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o planejamento das faixas de frequência para garantir a transição tecnológica.

Como vai funcionar

A TV 3.0 é um novo padrão que revolucionará a TV aberta, promovendo uma integração completa dos canais com a internet. Não haverá mais canais tradicionais, mas sim aplicativos nos aparelhos. A migração será gradativa, com início nas grandes capitais.

A navegação será mais interativa e inovadora, feita exclusivamente por aplicativos, substituindo o atual sistema numérico. Isso permitirá que os canais ofereçam, além do que já é transmitido ao vivo por sinal aberto, conteúdos adicionais sob demanda, como séries, jogos e programas especiais.

A qualidade da imagem, no mínimo, quadruplicará. O novo padrão permitirá transmissões mais detalhadas, com cores mais vibrantes e maior nitidez. O contraste também será aprimorado por meio de tecnologias de HDR (High Dynamic Range). Com som imersivo, o telespectador terá a sensação de estar dentro do ambiente transmitido na tela.

Quem conectar a TV à internet poderá interagir com a nova forma de transmissão, acessando conteúdos extras, fazendo compras e até participando de enquetes. O telespectador poderá, por exemplo, escolher uma câmera específica para assistir a um jogo de futebol – e ainda optar por ouvir o narrador ou apenas o som ambiente do estádio.

Já quem não estiver conectado à internet terá acesso imediato às melhorias de som e imagem, mas sem a possibilidade de interação com a programação.

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