A aprovação no Senado Federal da nova lei é um retrocesso para a própria democracia ao valorizar e premiar o corrupto
Por Genésio Araújo Júnior – DF
Quem leu a obra magistral Guerra e Paz, de Leon Tostói, lembra que em meio a grandes e históricas batalhas se cometiam vilanias e crueldades que ninguém dava conta.
Em meio ao julgamento da tentativa de golpe de Estado, algo inédito no Brasil e no mundo, o Senado Federal, em votação semipresencial, aprovou uma mudança na Lei da Ficha Limpa que vai permitir que, mesmo que se tenha várias condenações, se fique impedido de disputa eleitoral por no máximo 12 anos.
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Leia: Veja como ficou a Lei da Ficha Limpa/ Senado aprovou o projeto
Mas, quem foi condenado uma vez, na prática, só vai deixar de ser candidato uma eleição para deputado ou senador.
No momento em que o crime organizado toma de conta de nossa sociedade, em que se sabe que tem quase um quinto do congresso respondendo por venda de emendas parlamentares no STF, em que algumas bancadas, especula-se, têm 20% de suas representações financiadas por políticos envolvidos com facções criminosas, esse tipo de medida dos senadores é um arapuca para o distinto público.
Interessante é que a proposta é uma invenção da filha deputada do altamente perigoso Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, cassado por picaretagem.
Não me venho falar de santidade em casa de pecadores.




















