Cineasta Silvio Tendler morreu no Rio de Janeiro

Cineasta Sílvio Tendler cultura cinema Misto Brasil
Nascido no Rio de Janeiro, Silvio iniciou sua trajetória no cinema junto ao Movimento Cineclubista/Divulgação
Compartilhe:

Documentarista premiado, com uma centena de títulos, Tendler se notabilizou por sua cinematografia de cunho político e histórico

Por Misto Brasil – DF

O cineasta Silvio Tendler, 75 anos, morreu na manhã desta sexta-feira (5), no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada nas redes sociais da produtora fundada pelo cineasta, a Caliban. Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana. 

O enterro de Silvio Tendler será no domingo (7), às 11h, no Cemitério Comunal Israelita do Caju, localizado na zona portuária do Rio. Ele se descrevia como “um utopista” que acreditava “que a vida vai melhorar”.

Veja nota de pesar logo abaixo do Ministério da Cultura

“Silvio deixa uma filha, um neto, mais de cem obras, incontáveis amigos, centenas de ex-alunos, uma legião de fãs e a semente da justiça social plantada em todos nós”, confirma a produtora pelo Instagram.

Documentarista premiado, com uma centena de títulos, Tendler se notabilizou por sua cinematografia de cunho político e histórico. Ele realizou os longas-metragens sobre ex-presidentes, como “Os anos JK — Uma trajetória política” (1980), “Jango” (1984), e “Tancredo: A travessia” (2011).

O cineasta também produziu filmes sobre intelectuais, pesquisadores e artistas brasileiros como Josué de Castro – Cidadão do Mundo (1994), Milton Santos – Pensador do Brasil (2001); Glauber o Filme, Labirinto do Brasil (2003).

É dele documentário “O Mundo Mágico dos Trapalhões” produzido em 1981 e até hoje reconhecido por ter atingido a maior bilheteria para filmes nacionais no segmento: 1,8 milhão de espectadores.

Pelas redes, a Casa Rui Barbosa (ligada ao Ministério da Cultura) assinala que Tendler teve “uma vida inteira dedicada a contar a história recente do país com coragem, compromisso e denúncia.”

Silvio Tendler foi condecorado duas vezes pelo governo federal: a primeira vez pela Ordem de Rio Branco em 2006 (Presidência da República); e a segunda vez, este ano, como comendador da Ordem do Mérito Cultural (Ministério da Cultura).

Nota de pesar

A notícia da morte do professor, cineasta e historiador brasileiro Silvio Tendler, na manhã desta sexta-feira, aos 75 anos, foi recebida com profundo pesar pelo Ministério da Cultura (MinC). Ele era considerado um dos grandes documentaristas brasileiros. Em mais de cinco décadas de carreira, produziu e dirigiu mais de 70 filmes, entre curtas, médias e longas.

Nascido no Rio de Janeiro, Silvio iniciou sua trajetória no cinema junto ao Movimento Cineclubista, em meados dos anos 1960. Em 1968, assumiu a Presidência da Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro, tendo atuado nesse período na assistente de direção de Paulo Alberto de Barros – posteriormente conhecido como Artur da Távola – no curta-metragem Fantasia para Ator e TV.

Seu primeiro filme, sobre a Revolta da Chibata, viria em seguida, mas o início dos anos de chumbo levaram o responsável pela guarda dos negativos originais de seu filme a queimá-los, restando, apenas suas memórias daquele encontro e uma fotografia do Almirante Negro.

Em 1969, passou a estudar Direito na Pontifícia Universidade Católica, no Rio de Janeiro. Mais tarde abandona o curso, vai a Cuba, Chile e França, onde retoma os estudos. Em 1975, forma-se em História, pela Université de Paris VII.

No ano seguinte conclui o Mestrado em Cinema e História pela École des Hautes-Études/Paris VII – Sorbonne, desenvolvendo uma ampla pesquisa sobre Joris Ivens, a partir da análise de seus arquivos pessoais.

De volta ao Brasil e começa a produzir eu primeiro longa-metragem, Os Anos JK – Uma Trajetória Política (1980).

Em 1981 realiza O Mundo Mágico dos Trapalhões, e inicia a produção do longa-metragem Jango (1984).

No final dos anos 1990 assumiu a Coordenação de Audiovisual para o Brasil e o Mercosul da Unesco, organismo vinculado às Nações Unidas voltado para a Educação e Cultura.

Em 2003, recebeu a Medalha JK – Centenário JK, do Ministério da Cultura. Mais recentemente, em março, participou da entrega da Ordem do Mérito Cultural (OMC), no Edifício Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro. Na ocasião, foi agraciado com a medalha grau Comendador.

Assuntos Relacionados

Siga o Misto Brasil

Acompanhe em todas as redes

Notícias, vídeos e destaques em tempo real. Escolha sua rede favorita.

Dica: acompanhe também pelo WhatsApp para receber atualizações rápidas.

Brasília e Entorno do DF

Oportunidades