Fraudes bilionárias no Pix abalam confiança do sistema financeiro

Banco correspondente bancário Misto Brasília
O custo de empréstimos tem aumento com os juros altos/Arquivo/CassMe
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O resultado é devastador: mesmo quando o cliente não é afetado, a percepção de fragilidade corrói a credibilidade do ecossistema financeiro

Por Diego Baldin – SP

O ataque hacker contra a Sinqia no dia 29 de agosto não derrubou bancos nem gerou perdas imediatas aos correntistas, mas deixou uma marca invisível que pesa mais do que os prejuízos financeiros: a confiança no sistema. Em poucos minutos, criminosos desviaram centenas de milhões de reais explorando vulnerabilidades na infraestrutura do Pix.

Esse episódio, somado à tentativa de desvio de R$ 1 bilhão na C&M Software, mostra que a nova fronteira dos ataques digitais não mira mais apenas em usuários, mas sim em fornecedores críticos que conectam bancos e fintechs.

O resultado é devastador: mesmo quando o cliente não é afetado, a percepção de fragilidade corrói a credibilidade do ecossistema financeiro.

A escala das fraudes financeiras é alarmante tanto globalmente quanto no Brasil. Estimativas da Nasdaq apontam que US$ 3,1 trilhões em recursos ilícitos circularam pelo sistema financeiro em 2023, resultando em perdas globais de aproximadamente US$ 485,6 bilhões.

No Brasil, o cenário é ainda mais preocupante: 77% das instituições financeiras relatam aumento nas tentativas de fraude, e 68% registram crescimento das perdas com crimes financeiros, índices acima da média global, de acordo com pesquisas do Serasa e Febraban.

Quase metade dos bancos brasileiros enfrenta perdas anuais de oito dígitos devido a fraudes, e 46% já foram multados em valores também na casa dos oito dígitos, evidenciando a necessidade urgente de estratégias mais eficazes de prevenção e combate a esses crimes, conforme levantamento do Bacen.

Esses números confirmam que a confiança é o verdadeiro alvo dos criminosos. Para o consumidor, pouco importa se o ataque aconteceu em um banco, em uma fintech ou em um provedor terceirizado. O que ele enxerga é que o sistema falhou. A consequência vai além da perda financeira: retração no uso de canais digitais, erosão de reputação e pressão regulatória mais severa.

Se as instituições não podem mais blindar apenas suas fronteiras, a resposta precisa ser coletiva. Estudo da BioCatch mostra que 74% dos bancos brasileiros já adotam análise comportamental para combater crimes financeiros, alinhados à tendência global de transformar a biometria comportamental em peça-chave de resiliência.

Essa tecnologia identifica padrões sutis no comportamento digital do usuário, detecta contas laranja antes da primeira fraude e reconhece sinais de coação ou manipulação remota de dispositivos em tempo real.

Instituições que investem nesse tipo de análise são menos propensas a perder valores acima de US$ 10 milhões por ano em fraudes.

Em um país onde 83% dos líderes reconhecem a ligação entre fraude, tráfico humano e terrorismo, e 89% pedem mais intervenção regulatória para conter a lavagem de dinheiro, a adoção de camadas proativas de proteção não é apenas um diferencial competitivo, mas um requisito de sobrevivência.

O ataque à Sinqia deixa claro que a responsabilidade pela proteção do sistema é compartilhada. Bancos, fintechs, provedores de tecnologia, reguladores e autoridades policiais precisam agir em sintonia. A confiança é o ativo que sustenta o sistema financeiro e, uma vez abalada, exige muito mais esforço para ser reconstruída.

A biometria comportamental se consolida como a ferramenta capaz de transformar essa responsabilidade em resiliência, protegendo não apenas o dinheiro em circulação, mas a própria credibilidade do ecossistema financeiro brasileiro.

(Diego Baldin é engenheiro de Soluções Latam da BioCatch)

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