No Brasil, a expectativa é que o Comitê de Política Monetária (Copom, órgão do Banco Central) mantenha a Selic em 15% ao ano
Por Misto Brasil – DF
Mais do que a decisão sobre as taxas de juros, o mercado financeiro está de olho no tom da declaração dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos nesta Superquarta.
O motivo é claro: o comunicado das instituições deve revelar, nesta quarta-feira (17), as intenções futuras da política monetária, não apenas o que está sendo decidido agora.
Especialistas ouvidos pelo InfoMoneyafirmam que o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) deve anunciar um corte inicial nos juros, acompanhado de uma comunicação descrita como dovish-cautelosa.
Isso significa reconhecer algum alívio no mercado de trabalho e uma inflação mais benigna, mas ao mesmo tempo enfatizar que os próximos passos dependerão de dados futuros e que não haverá um cronograma antecipado de reduções.
Nos EUA, a pressão por flexibilização aumentou depois que o número de pedidos de auxílio-desemprego atingiu o maior patamar em dois anos. O Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS, na sigla em inglês) também revisou para baixo a criação de empregos até março, de 1,8 milhão para 911 mil.
Esses sinais de desaquecimento contrastam com uma inflação ainda persistente e reforçam a visão de que a autoridade monetária prefere adotar uma comunicação cuidadosa, calibrando expectativas sem se comprometer com um ciclo definido de cortes.
Por lá, a expectativa compartilhada por diversos bancos como Bank of America (BofA) e JPMorgan, é de um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.), ajustando a taxa para um intervalo de 4% a 4,25% ao ano.
No Brasil, a expectativa é que o Comitê de Política Monetária (Copom, órgão do Banco Central) mantenha a Selic em 15% ao ano. O discurso deve vir com tom de vigilância, mesmo após uma melhora nas projeções de inflação captadas pelo boletim Focus.
A autoridade monetária reconhece a recente deflação e a queda do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), mas deve reforçar a necessidade de manter os juros elevados por mais tempo para garantir a ancoragem das expectativas.
Bruna Centeno, economista da Blue3 Investimentos, diz que, na prática, o tom do comunicado pode mexer bastante com os mercados se vier diferente do que já está precificado.
A Bolsa brasileira, por exemplo, acompanha com sucessivos recordes nas últimas sessões a expectativa de corte de juros nos Estados Unidos, porque o investidor estrangeiro tende a direcionar recursos para economias que oferecem melhor retorno.















