É o que diz uma pesquisa da PUCPR realizada com diferentes perfis. Adaptações ao aluguel não eliminam o desejo da casa própria
Por Misto Brasil – DF
Apesar do avanço do aluguel e de um cenário com juros altos e imóveis cada vez mais caros, 95% dos jovens brasileiros sonham em ter um imóvel próprio na terceira idade.
A constatação é de um estudo do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), que analisou as preferências habitacionais entre diferentes gerações no país.
Realizado a partir de entrevistas com indivíduos da classe média urbana de diferentes faixas etárias, e análises estatísticas, o estudo revela que as adaptações temporárias ao aluguel não eliminam o desejo pela casa própria.
Os dados sugerem que, mesmo entre os mais jovens que atualmente vivem de aluguel, prevalece a aspiração de adquirir um imóvel. Veja levantamento na íntegra.
A pesquisa mapeou três perfis distintos de aspirações habitacionais, associados a diferentes gerações. O primeiro é o perfil tradicional, mais comum entre os nascidos entre 1945 e 1964, que associa a posse do imóvel à segurança e ao status social.
O segundo é o perfil pragmático, predominante entre aqueles nascidos entre 1965 e 1984, para quem o imóvel representa proteção do patrimônio familiar e garantia de valorização ao longo do tempo.
O terceiro é o perfil flexível, mais presente entre jovens nascidos a partir de 1985, que tendem a priorizar liberdade e experiências de vida, como viagens ou mobilidade, em vez de assumir compromissos de longo prazo com financiamentos imobiliários, e que não veem a propriedade de imóveis como o único caminho para a segurança.
Ainda assim, mesmo entre os mais flexíveis, o desejo de ter um imóvel próprio no futuro permanece latente.
Outra descoberta da pesquisa é a relação entre idade e preferência por tipo de moradia na terceira idade. Enquanto 75% dos jovens da Geração Z e 58,1% da Geração Y sonham em viver em casas, apenas 38% dos Boomers e 38,2% da Geração X compartilham esse desejo.
Entre os mais velhos, a tendência se inverte: 46,8% dos Boomers preferem morar em apartamentos.
“Atribuímos esse padrão ao chamado ‘efeito de experiência’: quanto mais vivências habitacionais ao longo da vida, maior o reconhecimento das vantagens práticas dos apartamentos, como acessibilidade, segurança e baixa manutenção”, comentou o pesquisador da PUCPR, um dos responsáveis pelo estudo, urbanista Rafael Kalinoski.
“E cabe lembrar que esse pensamento reflete as percepções dos entrevistados nas áreas urbanizadas das regiões Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil”.

